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Editorial

Muito além do Papai Noel

24/12/2016 às 14:19
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A história das religiões mostra que a força delas é proporcional a mensagem de seus criadores e, neste sentido, nenhuma é tão poderosa como a legada a nós pelo menino-rei que nasceu numa humilde manjedouro e para quem todos hoje baterão palmas na virada da meia noite.

Jesus Cristo, ao contrário do que muitos pensam de maneira discricionária, não é uma figura exclusiva das religiões cristãs, ele é muito mais que isso por conta do único mandamento legado a nós por eles: “amai-vos uns aos outros e ao teu próximo como a ti mesmo”. Pode existir mensagem mais forte que essa? Dificilmente.

 É por conta dela que hoje Jesus Cristo tem força e consideração em quase todas as matizes religiosas. No judaismo, a religião de berço dele, é considerado um profeta como todos os que estão nas páginas do velho testamento. Seus ensinamentos são, portanto, considerados. Em quase todas as religiões de matrizes africanas há relações sincréticas entre os Deus africanos e o menino-deus cristão, quase sempre por conta da mensagem de amor ao próximo.

No islamismo também há pontos de aproximação com as teses defendidas pelo aniversariante do dia e não por acaso, em Manaus, temos uma igreja de Nossa Senhora dos Remédios costruída exatamente pela comunidade árabe que para cá migrou há dois séculos. Portanto não estamos falando de um gigante entre tantos outros gigantes, mas sim do maior deles para os povos do ocidente.

 Curiosamente, contudo, ao longo da história a força desta mensagem está perdendo espaço para a cultura do consumo. Muitos hoje estarão, como nos advertem os líderes religiosos ouvidos por A CRÍTICA, mais preocupados em receber presentes embalados em papéis coloridos do que rememorar o espírito do Natal.

É claro que essa cultura, que tem importância para a economia, deve ser levada em consideração, porém relativizada em face do gigatismo da mensagem de solidariedade, de fraternidade e igualdade imbricada nas obras do menino Jesus.

Essa relativização se torna ainda mais imperiosa no momento em que todos passamos por uma brutal crise econômica, com todos os agentes produtivos engatados numa marcha a ré que ainda deve perdurar por alguns meses. Portanto, melhor celebrar o aniversariante e vivenciar sua mensagem.