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Editorial

Mulheres e a participação na política

29/09/2016 às 23:55
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As mulheres brasileiras têm uma longa caminhada pela frente, com muitos obstáculos a serem vencidos, para assegurarem participação mais igualitária na política. Nas eleições deste ano, o número de candidaturas femininas caiu em nível nacional e manteve-se estável no Amazonas – menor que o índice obtido em 2012 (32,79% do total de candidatos) e maior que o mínimo exigido pela Lei das Eleições (31,60%. A lei determina 30% do total de candidaturas).

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres podem se mobilizadas em determinadas articulações, carregar as senhas das vitórias e das derrotas de candidatos e candidatas. Permanecem como minoria tanto no Executivo quanto no Legislativo, em todas as instâncias (Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais). Lidam numa ou noutra função com modelos profundamente masculinizados e masculinizantes. A linguagem traduzida nas condutas parlamentares, na arquitetura dos ambientes, na cultura das atividades sistematiza um cenário de violência permanente e um cotidiano de desrespeito naturalizado contra as mulheres.

A baixa participação numérica das mulheres nos espaços de poder mostra uma anomalia grave da democracia representativa no Brasil. As mulheres estão sendo impedidas de participar em igualdade de condições. Desde a indicação dentro dos partidos, passando pela campanha eleitoral até o exercício do mandato àquelas que conseguem vencer um dos mais complexos funis funciona um sistema de impedimento gradativo. Enquanto o País por meio das lutas das mulheres e da sociedade em geral não vencer essa etapa haverá danos sérios na concepção de funcionamento desses poderes.

A luta pela paridade na participação política é tratada por setores poderosos do Congresso Nacional ora como piada ora com ironia. No conjunto, permanece o pensamento dominante de que política não é coisa de mulher e quando uma mulher alcança esse campo terá de se comportar como os homens da política. A batalha de várias mulheres para romper com esse pensamento vem sendo travada sem trégua e obriga à revisão das condutas e das estruturas norteadoras dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nas eleições desse domingo, as mulheres candidatas exprimem uma feição dessa batalha. As que saírem vencedoras inaugurarão a outra etapa não menos difícil. Sobre as eleitas há uma pressão enorme jamais feita aos homens: são classificadas por parcela dos seus pares de sentimentais, histéricas, nervosas e não competentes. Uma velha fórmula para enfraquecer e impedir o crescimento dessa presença feminina. E de não completar a consolidação da democracia no Brasil.