Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

Mulheres nas ruas pedem respostas


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26/11/2019 às 08:02

O Amazonas aparece, em nível nacional, na terceira posição entre os Estados que mais matam mulheres. Até outubro, foram 68,3 mil crimes contra as mulheres dos quais 24.553 casos de feminícidio registrados na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM). No Brasil, são assassinadas, em média, 13 mulheres por dia.

É para mudar essa realidade de terror e morte que milhares de mulheres realizaram, ontem, em todo o mundo, manifestações pelo fim da violência contra as mulheres. Caminhadas, vigílias, protestos e performances artísticas marcaram o 25 de novembro quando acontece, desde 1991, em nível internacional, a campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. No Brasil, iniciou em 2003.

Em Manaus, uma série de manifestações foram realizadas por todo o dia de ontem. Pela manhã, na área externa do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AM), representantes de organizações de mulheres ocuparam o local com faixas, cruzes e cartazes, cantaram abraçadas e gritaram nomes de mulheres assassinadas cujos processos não caminham em ritmo regular. A ida do grupo ao TJ-AM foi para reivindicar mais celeridade da Justiça nos processos que tratam das mortes de mulheres

Outras duas manifestações ocorreram à tarde. Uma em frente ao prédio da Delegacia dos Direitos da Mulher, e outra, a Vigília Feminista, percorreu o centro da cidade e ocupou a Praça do Congresso.

As ações das mulheres no Amazonas deram um grito de basta de violência contra a mulher e pela necessidade, urgente, de incluir o tema como pauta importante na estrutura governamental. O movimento de mulheres entende que os números de assassinatos de mulheres no Estado e de outros crimes alcançaram patamares inaceitáveis e atingem todas as mulheres, afeta as famílias, a sociedade, a própria governabilidade comprometida com os princípios de bem-estar e de saúde.

Em um cenário como este, de mortes em larga escala, o que aparece é a banalização da vida das mulheres e, no caso de mulheres mães, ocorre desprezo sobre as condições de vida das crianças órfãs. Uma sociedade mais saudável e mais justa não acataria o assassinato de mulheres como forma de resolver conflitos e não toleraria o comportamento governamental em relação a essa questão.


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