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Editorial

Muro em comunidade, medo da violência

25/06/2017 às 20:48 - Atualizado em 25/06/2017 às 20:49
Show 99

Mais do que combater a própria violência, deveria ser missão do poder público combater a sensação de violência, pois esta acaba, silenciosamente, causando transtornos tão ou mais graves para a vida em sociedade.

Um bom exemplo disso pode ser visto no caso que a A CRÍTICA mostra hoje de uma comunidade acuada por ladrões e que por conta própria decidiu construir um muro para barrar a presença deles. Ou seja, eles tomaram uma medida extrema e deste modo igualmente entraram para a ilegalidade, pois o Plano Diretor de Manaus proíbe o fechamento de ruas.

Para piorar, eles podem ser multados e vão sentir no bolso o preço da ilegalidade que cometeram em nome de ganhar um pouco mais de segurança. Se condenados em instância administrativa municipal vão ainda ter que derrubar o muro que construíram sem autorização do órgão municipal competente, no caso o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). 

De qualquer forma este tipo de comportamento desesperado deve orientar o poder público, as autoridades de segurança, para um problema que vem ganhando proporções gigantescas em nossa cidade, pois conforme eles “três casos de roubo são registrados todos os dias nas ruas do conjunto João Bosco 2. Os criminosos invadem casas e motoqueiros armados ameaçam e roubam moradores que andam a pé pelas ruas. Ou seja, eles estão sitiados e a polícia pouco ou quase nada está fazendo para minorar o problema naquela área específica de nossa cidade.

Cabe lembrar também que este tipo de conduta cria um problema coletivo, pois muita gente usa aquela via fechada pelos moradores. Em outra ponta, o poder público perde a capacidade de planejar novas ações numa área que acaba “privatizada” pelos moradores. Enfim, é uma série de problemas que se apresenta e cuja eficácia é discutível, pois muros, em lugar nenhum do mundo, é capaz de conter aqueles que queremos fiquem do lado de fora deles.

Neste caso, recomenda-se um dialogo razoável com os envolvidos e assim reduzir os impactos causados pela construção irregular, que em último caso precisará ser retirada.

Enfim, fica o alerta para os administradores públicos.