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Editorial

Na hora certa

04/01/2017 às 21:52
Show carmen lucia

Pontualidade parece ser um tema trivial, mas está repleto de valores e revela muito sobre as pessoas e instituições. Em se tratando de serviço público, é mais que uma  questão de educação; demonstra respeito e consideração pelos contribuintes. 
Os bons líderes são reconhecidos por seus exemplos. Uma iniciativa interessante foi a do prefeito de São Paulo, João Doria. Famoso por sua intransigência com atrasos à frente de suas empresas, ele estipulou uma “multa” de R$ 200 a cada 15 minutos de atraso por parte dos secretários municipais. O dinheiro será doado a uma instituição que ainda será definida. Deu certo, ontem Doria realizou a segunda reunião de secretariado e ninguém atrasou. O novo prefeito tomou posse no último domingo, dizendo que atuará como “gestor” e “administrador” para dar eficiência à máquina da prefeitura. 
Outro exemplo veio do Judiciário. No ano passado, logo que tomou posse como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia pediu pontualidade aos ministros. Quando Ricardo Lewandowski era presidente da Corte, ocorriam muitos atrasos, prejudicando os trabalhos da mais alta Corte do País. Ela sugeriu mudanças nos hábitos e determinou  que as sessões começariam  pontualmente no horário estabelecido. 
Esta deveria ser uma regra natural em todas as ocasiões. Infelizmente, o que vale é o contrário. É uma vergonha que seja preciso pedir a ministros do STF ou gestores públicos de qualquer esfera para que cumpram seus horários de trabalho. A pontualidade faz parte do princípio da eficiência, cláusula pétrea da Constituição Federal, mas amplamente ignorada, não apenas na administração pública, mas em praticamente todos os aspectos da  vida em nosso País.
No Amazonas, por exemplo, é comum que autoridades públicas marquem compromissos e deixem as pessoas esperando muito tempo além da hora marcada, numa absurda demonstração de desrespeito. A falta de pontualidade parece ser uma característica inerente ao cargo, que nem precisa ser de muito destaque. Já está tão banalizado na sociedade que as pessoas aceitam como normal; queixam-se, incomodam-se, mas aceitam o desrespeito. 
Chega a ser algo cultural. Em alguns países como Japão, Alemanha e Inglaterra, atrasar-se é visto como uma ofensa deliberada, um sinal de inimizade. Não precisamos chegar a esse ponto. Quase sempre, chegar na hora certa não é um sacrifício. É uma demonstração de civilidade e respeito pelo outro.