Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Editorial

Não ao preconceito


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23/07/2019 às 07:52

A desigualdade social - entendida aqui como falta de equilíbrio no padrão de vida das pessoas, seja no âmbito econômico, escolar, profissional, de gênero, entre outros - é o resultado de muitas “desigualdades” ainda muito presentes em nosso País. Uma delas é a desigualdade racial, que atinge principalmente os afrodescendentes, e também os indígenas. Sem querer amenizar o processo de genocídio de povos indígenas que segue em curso ainda hoje, ou todo o preconceito em relação a negros e pardos, é preciso admitir que o Brasil tem uma trajetória marcada pela miscigenação, muito diferente do que ocorreu em vizinhos como Uruguai e Argentina, onde ocorreu um processo cruel de “branqueamento” populacional, com extermínio perpetrado pelo Estado sobre parcelas significativas da próprio população em poucas décadas.

O que ocorre no Brasil é um processo menos apressado, mas de efeitos bem visíveis. Esse processo que começou com a chegada dos portugueses há mais de cinco séculos, gerou distorções que talvez só sejam corrigidas em mais algumas centenas de anos. Temos uma sociedade em que dois terços da população carcerária são negros. Dos desempregados brasileiros, mais de 64% são negros ou pardos. São dados que refletem essas distorções. É preciso reconhecer que o cenário atual é resultado direto de um processo de evolução social que tem sido cruel e desigual para essas parcelas do nosso povo.

O fato é que somos um país preconceituoso. Algo que se manifesta nos xingamentos racistas nos estádios, nas discussões do dia a dia, nos pequenos menosprezos em relação ao outro em decorrência da cor da pele, do sotaque ou dos trejeitos. 

Como se corrige essas distorções, para que um dia tenhamos um país mais igualitário? Não será negando as desigualdades como querem muitos. Elas precisam ser reconhecidas e enfrentadas. A educação tem papel fundamental nesse desafio, assim como políticas públicas efetivas. Uma boa iniciativa foi a criação, em 2010, do  Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), que tem a missão de articular políticas de combate às desigualdades raciais no País. Porém, dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, apenas 87 aderiram ao sistema. Iniciativas como essa são positivas, mas sem apoio, estão fadadas ao fracasso.


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