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Editorial

Navio cheio de ratos

27/05/2016 às 21:49
Show machado

Com a aprovação da mudança ne meta fiscal - mesmo que para admitir um déficit gigantesco - o navio do governo voltou a navegar, mas os mares estão longe de ser tranquilos. Ao longo desta semana, houve tempestades diárias por conta das revelações das gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Na tentativa de salvar a própria pele e evitar a prisão, o ex-executivo gravou várias conversas comprometedoras que mostram um ponto em comum: a preocupação em barrar as investigações da Operação Lava Jato. Personalidades como o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado, Renan Calheiros, chegaram a indicar possíveis estratégias para frear a maior operação de combate à corrupção já realizada no País. 

Em meio a esses mares tumultuosos, o presidente interino, Michel Temer, teve que sacrificar um operário, o diligente Romero Jucá, que não ficou duas semanas no comando do Ministério do Planejamento. O problema é que o navio de Temer segue infestado de ratos. E não adianta falar em afastamento imediato, em caso de revelações constrangedoras. 

Ao que parece, os partidos encontram enorme dificuldade em indicar quadros para ocupar cargos na Esplanada dos Ministérios que não tenham alguma relação com as atividades ilícitas diariamente noticiadas pela imprensa. Este é o navio que temos no momento. E diferente do dito popular, os ratos deste navio não têm nenhum interesse em abandonar a nave, pelo contrário, vão se apegar com todas as forças em qualquer naco de poder e lutar para permanecer com ele. 

As próximas eleições seriam um momento de mudança de rota. Quando os brasileiros teriam a oportunidade de trocar ratos por homens comprometidos com a boa gestão pública. Seria o momento de fazer o verdadeiro e mais poderoso protesto contra a corrupção. Até lá, este navio comandado por Temer - com a possibilidade de voltar ao comando de Dilma Rousseff no desfecho do processo de impeachment - conduzirá o País no oceano agitado pela crise econômica e podendo ser incendiado a qualquer momento pelos desdobramentos da Operação Lava Jato. Vamos aguardar e torcer que, no final das contas, o País consiga atravesssar a tempestade e o povo brasileira aprenda que o voto consciente é a mais poderosa arma para evitar os problemas de hoje.