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Editorial

Negociata pró-reforma da Previdência escancara leilão com bens públicos

27/12/2017 às 20:49
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Os princípios, os deveres e os direitos do servidor público são claros. No caso do legislador, um servidor público privilegiado, os deveres estão reforçados constitucionalmente além dos documentos aprovados no âmbito das casas legislativas como instrumentos norteadores da conduta parlamentar; não é diferente a conduta exigida para o funcionário público no poder executivo. Somente o cinismo ou uma espécie de apagão estratégico conduzido por gestores públicos podem justificar a permanência da conduta e as declarações de servidores do alto escalão do poder no Legislativo e no Executivo de compra de votos em larga escala.

Com a chegada do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) à Secretaria de Governo, o que a sociedade assiste é a feira e a farra oficiais, custeadas com verbas públicas. Habituado ao exercício do chamado baixo clero, Marun, na condição de ministro, escancarou o corpo das negociações e faz leilão com bens públicos repetindo ser legítimo esse tipo de atitude. Em declaração há menos de uma semana, o ministro disse não ser corrupção o governo oferecer vantagens aos parlamentares que votarem a favor das propostas governamentais. Há dois dias, Marun voltou à carga, desta feita mirando governadores que poderão, segundo o ministro, ter empréstimos e financiamentos para serem liberados poderão ser atendidos, caso a reforma da previdência seja aprovada no Congresso Nacional.

Como tratar de uma reforma da importância que é a da previdência, dessa maneira? Se há dinheiro para distribuir entre parlamentares e valores expressivos que podem ser repassados aos governos mediante uma determinada atitude – “de reciprocidade”, como definiu Carlos Marun, o déficit da finança pública é uma ficção?

O Governo Federal assumiu uma postura de falta de respeito aos brasileiros e tenta empurrar como normal a negociata entre os poderes para fazer valer suas propostas. Ultrapassou o limite e, ao decidir premiar o deputado Carlos Marun, cujo desempenho mais recente em defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha o apresentou por completo ao País, aposta no alto grau de tolerância dos brasileiros com a improbidade administrativa. O vale tudo institucionalizado entre Governo e Congresso Nacional, com suporte de setores do Judiciário, constrange a nação e aprofunda a crise dos poderes, da política, das instituições públicas. E mais, para bancar o preço dessa negociata, abre um rombo nas contas públicas e caberá aos trabalhadores pagar por ele.