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Editorial

Negócios e população idosa

12/11/2018 às 09:24
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Os idosos, vistos muito rapidamente pelo mercado como um nicho, serão em poucos anos uma população considerável no Brasil. Já respondem hoje por indicadores significativos de compras, viagens, margem de crédito. Na edição de domingo, do caderno Dinheiro, reportagem de A CRÍTICA apresentou perspectivas de iniciativas para acompanhar a vertiginosa virada brasileira para uma população acima de 70 anos que se sente ativa, disposta e criativa e quer viver intensamente essa etapa de vida.

A maioria dos profissionais e dos que estão em processo de formação não trabalha com esse dado como oportunidade. Os idosos são tratados ainda pela ideia de problemas e enormes dificuldades. Um dos aspectos mais complicados é o da formação, há repetição em vários cursos de um discurso de aniquilamento dos idosos. Profissionais da área da saúde que também desempenham atividades como professores costumam repetir em sala de aula frases cujo efeito tem sido o de reforçar o afastamento daqueles que estão formando da população idosa. É uma distorção grave, uma conduta preconceituosa e atrasada.

Se o mercado já descobriu o tamanho do nicho que os idosos representam em diferentes áreas, é necessário que os outros segmentos possam fazer essa descoberta que exige compreensão e perspectiva de formação diferenciada. O que está posto é a necessidade de fazer reformas na parte de conteúdos formativos nos cursos de graduação, de inserir a velhice como matéria importante desde a primeira formação e de situá-la na contemporaneidade. O que significa que a população acima de 60 anos oferece inúmeros dados que vão desde uma fatia que dispõe de um padrão mais elevado de recursos, os que estão em situação de abandono tanto pelo Estado quanto pelas famílias, o quadro mais geral de adoecimentos, onde a solidão joga papel relevante como meio de atração de doenças, os que têm mobilidade; outro aspecto é como a cidade está organizada e se organiza para a população idosa, que tipo de política pública oferece e qual é a ideia dos gestores públicos sobre os idosos.

Até agora o saldo de respostas a essas perguntas é de déficit em razão da pouca importância que a população idosa representa na definição das prioridades dos governos e dos setores produtivos.