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Editorial

Ninguém está livre

15/06/2016 às 20:52
Show epoca

A cada nova fase da operação Lava Jato, a cada nova delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, a cada nova decisão do Supremo Tribunal Federal, a cada novo pedido  do Procurador Geral da República, a cada nova edição dos jornais, enfim a cada vez que as instituições de controle do País vem a boca do pano, mais os brasileiros deveriam refletir sobre a necessidade de uma urgente, urgentíssima, reforma do sistema político brasileiro, cuja pedra angular, o financiamento privado das campanhas, leva a esse mar de corrupção que descobrimos a cada ciclo de 24 horas.

No famoso discurso da Central do Brasil, em 19 de março de 1964 e que foi usado como estopim para o golpe e o  início da ditadura militar, o presidente João Goulart defendia exatamente a necessidade do País reformar o sistema político, pois passados os 21 anos de ditadura e outros 21 de democracia a necessidade expressada naquele comício ainda é premente, posto que a iniciativa privada continuou sendo protagonista das disputas políticas e assim, subrepticiamente, manteve como protagonista da vida nacional.

O que mais intriga e choca nas delações de Sergio Machado é ver que todos os partidos, absolutamente todos, de uma maneira ou de outra, esteve envolvido com as traficâncias dele com as empresas fornecedoras da Transpetro. PT, PMDB, PP, PR e todas as siglas que garantiram e integraram o chamado governo de coalizão capitaneado pelo PT nos últimos 13 anos e pelo PSDB nos oito antecedentes estão envolvidos.
No governo petista, por exemplo, os oposicionistas PSDB, DEM, PSB e até a novíssima Rede Sustentabilidade receberam, segundo Machado, algum tipo de ajuda escusa dos fornecedores acionados por ele ou por seus mentores e patrocinadores.

Fazer essa reforma em meio a Lava Jato e o burburinho que o País vive, com o presidente da Câmara vivendo às vésperas da cassação e, quem sabe, da prisão; o presidente do Congresso réu em vários processos, um presidente interino citado nas delações e uma presidente afastada na bica de  sofrer um impeachment, é um trabalho complexo que já não depende mais da capacidade de fazer política dos atuais atores enviados a Brasília pelo voto dos brasileiros. Consertar o País vai depender muito de um poder Judiciário que jamais teve o protagonismo que dele se espera agora nessa hora difícil.