Terça-feira, 15 de Junho de 2021
Editorial

Normalidade pode custar preço alto


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11/05/2021 às 07:30

O primeiro final de semana de flexibilização ampliada em Manaus, escancarou as aglomerações na maioria dos lugares. Restaurantes, shoppings, praças, ruas de comércio popular, balneários e nas festas do Dia das Mães com encontros de familiares, em casa de vacinados com duas doses, com uma dose e não vacinados.

Um passeio na cidade entre sexta-feira e domingo, mostrava o elevado movimento das atividades e de público, como se Manaus tivesse decretado o fim da pandemia. Embora os registros de casos e de mortes tenham reduzido, a ameaça permanece. Dados da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) de 9 de maio apontam para 211 novos casos e dois óbitos. O adoecimento, ainda elevado, pode significar a incidência da Covid-19 e, consequentemente, todo o ciclo de sobressaltos, sofrimento e dor.

A abertura das atividades e o repetitivo comportamento social e de autoridades públicas em banalizar as medidas preventivas são a outra face da ameaça que afeta diretamente a todos, os doentes, os familiares e ao cronograma de retomada das atividades econômicas. A conduta mais recorrente no Amazonas e, particularmente, em Manaus, é de ignorar a pandemia ou minimizar a letalidade da Covid-19, mesmo tendo vivido recentemente a tragédia ocorrida na capital, no mês de janeiro.

A presença massiva de pessoas nos espaços públicos, e alguns privados, e a não observância de critérios como o distanciamento social e uso de máscara, podem empurrar Manaus para ter que voltar a adotar medidas mais restritivas e agravar o nível de precarização da vida. A fome, a falta de trabalho e de renda presentes na maioria dos lares do Amazonas se constitui em desafio a ser enfrentado imediatamente e, para isso, controlar a pandemia é fundamental.

Um outro dado complicador do cenário amazonense é da gripe, da dengue, da tuberculose e da malária. São doenças com elevados números no Estado e que exigem redobrar as atenções a fim de ampliar o controle e assegurar tratamento adequado. Somados às ondas da Covid-19, esses casos geram um bolsão de pressão que torna maior a vulnerabilidade dos mais pobres, dos povos indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais. O Amazonas não poderá falar de avanço no desenvolvimento sustentável com o agravamento da pobreza.


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