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Editorial

O acordo e o Ministério do Trabalho

12/01/2018 às 21:37
Show trabalho 123

O acordo para manter a posse da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Ministério do Trabalho é mais um capítulo da história de desrespeito com que o presidente Michel Temer (PMDB-SP) trata as instituições e expressão do tamanho da disposição presidencial para assegurar acordos que extrapolam o limite da ação política e se tornam composições esdrúxulas do vale tudo por voto.

O fator Cristiane Brasil agrava a crise de representatividade do governo brasileiro e escancara os níveis das relações que Temer opera com o Congresso Nacional e os partidos aliados. Nessacondição, o PTB não abre mão da deputada federal para assumir o Ministério do Trabalho e o governo, sitiado pelas ações contrárias a essa posse e pelo histórico da parlamentar, até agora decidiu enfrentar as implicações dessa nomeação e assegurar boa relação com o PTB de Roberto Jefferson, pai da deputada. É uma espécie de escrache geral.

No Congresso Nacional, parlamentares defensores da nomeação de Cristiane Brasil, afirmam com total naturalidade que o fato de a deputada enfrentar ações trabalhistas não a torna inviável para comandar o Ministério do Trabalho. Sugerem que o governo deve ignorar as ações que vetam a nomeação da parlamentar e confirma-la no posto. É preocupante que parlamentares assim se posicionem porque demonstram igual desrespeito à legislação e ao estado de direito. Deveriam ser submetidos a sanções legais diante dos ataques que fazem à normalidade institucional.

Uma parlamentar que desrespeita as normas trabalhistas e que por isso responde judicialmente não deveria se quer ser cotada para assumir o Ministério do Trabalho. O governo Temer, por sua vez, revela não ter interesse algum em saber da ficha corrida de seus auxiliares diretos. Se tivesse mais zelo provavelmente teria antecipadamente os dados da deputada Cristiane Brasil em mãos e evitaria, na formação do acordo, mais desgaste. A decisão de manter a deputada como ministeriável está amarrada a outros interesses distantes de qualquer pauta relacionada as questões trabalhistas e às reivindicações dos trabalhadores brasileiros. O arranjo indigesto agrava a crise nesse setor porque deixa há vários dias um ministério sem comando efetivo com repercussão em vários setores. O cabo de guerra tende a se arrastar e espalhar a lama até fevereiro quando encerra o recesso do judiciário.