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Editorial

O alerta de Tabatinga

10/06/2016 às 21:54
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O consumo de água por humanos volta à pauta a partir do surto de diarreia registrado em Tabatinga, a 1.105 quilômetros de Manaus. Dados divulgados pela Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) indicam que 60% da população do município não têm acesso à água tratada. Um porcentual muito alto que não mais deveria existir mas faz parte do cotidiano da maioria dos moradores dos municípios do Amazonas e de parte da parcela das famílias residentes em Manaus.
É uma situação grave e ausente das ações mais recorrentes dos governos. Só costuma ser notícia mediante acontecimentos graves, como o de agora classificado como um      surto. O acesso à água potável e de qualidade permanece como direito negado a muitos amazonenses e moradores desse Estado ironicamente cercado de muitas águas.

A Cosama descarta contaminação da água canalizada que é fornecida a 40% da população, tendo por base análises feitas. As autoridades sanitárias precisam esclarecer melhor à sociedade, o que implica em fornecer dados mais transparentes sobre a qualidade da água consumida por moradores de Tabatinga. É preocupante o ocorrido no município e os indicadores que estão sendo revelados. O grande número de pessoas doentes deixa a cidade em estado de alerta. Equacionar o problema passa necessariamente pelos esforços para não devolver ao esquecimento o que ali está correndo e banalizar o surto, como ocorreu no passado, com outras doenças entre as quais a cólera que explodiu em Benjamin Constant, na mesma região, na década de 1990. Os governos fizeram pouco caso.

A saúde que tem nas condições sanitárias adequadas base fundamental é marcada pela fragilidade na maioria dos municípios do Amazonas. Até hoje nenhum programa pensado e realizado em todas as suas etapas foi desenvolvido. Essa postura submete principalmente a população do interior a uma subvida e precariedade no seu estado de saúde. Se Tabatinga, município-sede de inúmeras ações governamentais por conta da condição estratégica que tem, a maior parte da população sequer consome água tratada o que pensar da condição de outras cidades onde as condições de transporte, econômico-financeira e de interesse por parte do poder são menores? O sofrimento da população vítima do surto de diarreia em Tabatinga é um alerta. Que ele seja escutado e mobilize para a tomada de posição. A vida de muitas pessoas está sob risco.