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Editorial

O apagão de professores

16/10/2017 às 22:31
Show sala de aula 123

Indicadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que a profissão de professor está em baixa. Os dados levantados pelo Movimento Todos Pela Educação expõem o desencanto com a atividade e a busca por outras áreas por parte dos jovens em processo de formação.

De acordo com o levantamento, de cada 100 jovens que ingressam no curso de pedagogia e de licenciatura, somente 51 concluem o curso e apenas 27 manifestaram interesse em seguir a carreira de professor. Aparecem como elementos negativos para os jovens o salário baixo e as condições precárias somadas a um ambiente onde a violência  cresce e a responsabilidade do professor é ampliada em várias direções.

A falta de políticas nacionais, estaduais e municipais de valorização do professor que tenham permanência é uma das motivações para tornar a atividade mais atrativa aos jovens. Os dados do Inep demonstram a urgência dos governos em olhar e agir com maior determinação nesse campo a fim de enfrentar problemas mais graves na educação brasileira, com redução da qualidade dos professores e mercantilização da profissão.

O ‘apagão’ de professores que afeta o Brasil não se resolverá isoladamente. Faz-se necessário reanimar os cursos de formação, constituir políticas sólidas para além dos períodos de governos e que vejam o professor como estratégico no processo de formação e de desenvolvimento do País. Nessa área, os estragos feitos não respondem imediatamente, levam mais tempo para serem superados e isso se não houver descontinuidade da política de valorização profissional.

Na atualidade, é o inverso que ocorre. Professores com salários defasados, atingidos por desvios de recursos ou a falta de transparência sobre a forma de uso desses recursos são obrigados a promover outras frentes de lutas para impedir que a precarização atinja níveis mais profundos. Essa situação produz fadiga e estresse que contribuem para o adoecimento e o desencanto com a atividade. Jovens que assistem a esse cenário tendem a desistir da carreira e tentar encontrar outros caminhos profissionais onde entendem que serão mais valorizados e terão melhor salário. Não é mais preciso dizer das dificuldades para esses jovens que sonharam em seguir o magistério, eles construíram um imaginário sobre esses obstáculos e fogem deles. Todos perdem, O País se encolhe.