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Editorial

O Brasil e o drama dos refugiados

19/05/2018 às 17:39
Show brasil e venezuela

O pedido do Governo de Roraima para fechar a fronteira do Brasil naquele Estado com Venezuela permanece ativo e, com ele, o pedido de ressarcimento no valor de R$ 184 milhões que o governo estadual afirma ter despendido com a chegada dos refugiados venezuelanos. É importante que a crise na Venezuelana não seja tratada como indicador de adoção de medidas restritivas e de retrocesso nas relações do País e ampliar nódoas históricas não resolvidas.

Há setores do poder e de parcela da sociedade que reforçam a ideia do fechamento da fronteira como fórmula para resolver problemas. Até agora a Advocacia Geral da União (AGU) tem mantido a centralidade neste tema e se posicionado contrária ao pedido colocando-o como inegociável. O ressarcimento reclamado e o valor dele será objeto de análise até a próxima semana, a pauta não inclui o item fechar fronteira.

O que está em jogo nessa disputa e na reivindicação do Governo de Roraima é o ingrediente da crise mundial e de um modelo que transformou o mundo nessa experiência atual. São os refugiados que atravessam os mares em busca de oportunidades de vida na Europa, morrem nessa travessia ou ao chegarem nos países onde esperavam acolhida humanizadora. Outros, como nos Estados Unidos, são mortos em ataques em ambientes como bares, escolas, praças enquanto o presidente dos EUA faz propostas absurdas sobre o armamento na direção de armar mais ainda a população. Ali, são os jovens que estão liderando um movimento nacional que discute esse tipo de sensação de segurança – produtor de mais violência – e pede mudança na política de armamento do país. Na América Latina, os desacertos econômicos e políticos patrocinam crises e a saída de milhões de pessoas para outros países, um dos destinos é o Brasil e, como no caso de Roraima, a forma de presença de estrangeiros é vista como ameaça e, em nível imediato, transtornos de várias ordens.

É possível e necessário reconhecer que as dificuldades nas cidades para onde chegam os refugiados são multiplicadas; e que o Governo Federal precisa agir rápido e estrategicamente diante de cenários como o atual. Aceitar e efetivar medidas de fechamento das fronteiras do Brasil equivale decretar uma conduta que pode ter motivação legal, mas é ilegítima e criminosa porque agride diretamente os direitos humanos que cada pessoa é portadora.