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Editorial

O Brasil e os povos indígenas

17/04/2018 às 22:04
Show ind genas

Os povos indígenas do Amazonas participarão do Acampamento Terra Livre (ATL) deste ano com delegação de 80 pessoas. De todos os Estados do Brasil centenas de indígenas estão rumando para Brasília. É lá que anualmente acontece o ATL, um grande acampamento onde os indígenas apresentam suas reivindicações, denunciam violações de direitos consagrados constitucionalmente, promovem mostras culturais nas mais diferentes expressões, músicas, danças, culinária, produção artesanal, pintura.

O avanço de projetos do setor privado mais conservador, da política de agronegócio e o estimulo à disputa interna quanto à exploração mineral em terras indígenas constituem o cenário das batalhas travadas pelos indígenas do Brasil. O saldo do conjunto dessas formas de pressão é o aumento da violência contra esses povos, agravamento das condições de saúde e do clima de instabilidade nas comunidades.

As tensões tendem a crescer e atingir a Amazônia em proporção maior já que a região representa, em alguns Estados, possibilidades de realização desses projetos. Os indígenas acompanham a série de iniciativas no Congresso Nacional que, se aprovadas, representarão mudanças no arco dos direitos e retrocessos nas conquistas feitas. Em última instância, mantida a lógica atual na condução dos projetos em pauta, o efeito será prejudicial ao conjunto dos brasileiros.

O País poderá até fazer negócios rentáveis a partir das terras indígenas, a questão posta é que a rentabilidade estará baseada em exploração em larga escala, destinada a atender uns poucos e deixar estragos de várias ordens às populações. O foco no uso da terra pelos indígenas é um e choca-se completamente com o interesse de explorar os espaços e as riquezas dessas terras pelo empresariado. A história do Brasil no trato dos indígenas tem sido escrita mais pelo esforço para se desfazer desses povos do que pela compreensão de que eles constituem parte da sociedade nacional, são portadores de  direitos e de conhecimentos e saberes que podem significar bons negócios e bons resultados para a nação.

Para isso, é preciso enfrentar o desafio de mudar a forma de tratamento histórico dado ao indígena que o coloca como pessoa de segunda classe, com capacidade limitada e refém de tutores. As lutas indígenas no Brasil e a resistência histórica para sobreviver mostram o quanto esses povos têm determinação e disposição para construírem um país culturalmente plural.