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Editorial

O Brasil em Discussão na UEA

29/05/2018 às 21:45
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É em um País mergulhado em crise que acontece, a partir de amanhã, a 2ª Semana Internacional de Estudos Clássicos do Amazonas (Seclam), organizada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O tema, “Educação, Linguagem e Ensino: a (re)construção do papel do educador da antiguidade aos nossos dias”. O que estará em debate é a evolução do educador nessa trajetória, uma proposta de reflexão de revelância exatamente por todo o quadro de desestabilidade que o Brasil vive.

Para parte dos grevistas de hoje, professores e centros de educação e estudos são responsáveis pela crise porque estariam ensinando à reflexão crítica e a autonomia. Essa percepção não é descabida, está aliada a esse percurso que a Seclam quer estudar nesses dias. A função da educação e o papel do educador têm nesse universo importância estratégica tanto para reforçar uma visão adesista ao conservadorismo, com aplicação de leis mais restritivas e expansão da ideia de ‘escolas sem partido’ quanto para assegurar ao campo educacional autonomia e melhoria nas atividades de formação dos estudantes tornando-os capazes de tomar decisões pessoais livres e em consonância com os princípios que embasam a educação e a humanidade.

O Brasil assiste entre perplexidade, desaprovação e aprovação o coro de uma parcela da população que pede a intervenção militar. Há pouco mais de três décadas o Brasil demarcava o fim do período de governo militar e retomava a redemocratização após 21 anos de perda total das liberdades. Do ponto de vista da história, é tempo muito recente onde a estrutura organizacional ainda convive com a cultura restritiva cujo processo de libertação dela e de construção de uma outra cultura é processo longo, difícil e que deveria ser parte dos investimentos permanente dos governos, do Congresso Nacional e do Judiciário além dos demais dos setores  organizados da sociedade, não como um ato de contribuição e sim por dever como determina a Constituição Federal. 

Refletir sobre a linguagem e o ensino em tempo como o atual é uma atitude valorosa que aponta caminhos em meio as fronteiras que se fecham e clamam pela lei de exceção, muitos do quais sem conhecer o significado dessa dolorosa experiência para qualquer sociedade em qualquer lugar do mundo.