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Editorial

O Brasil em primeiro lugar

27/04/2016 às 22:11
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A atitude do governo federal, que decidiu - com aval de suas principais lideranças - dificultar o acesso a informações necessárias à transição administrativa, em caso de afastamento da presidente Dilma Rousseff, é reprovável sob todos os aspectos. A rivalidade e a disputa política não podem se sobrepor aos interesses do País. Dilma já admite que seu afastamento a partir de 11 de maio - quando o Senado deve votar a admissibilidade do processo de impeachment - é inevitável e decidiu obstruir a instalação do eventual governo de Michel Temer.

O resultado dessa atitude pode ser extremamente danoso para o País, que precisa urgentemente deixar o limbo administrativo imposto pela crise política e que só agrava a crise econômica, lançando o Brasil  em um cenário de recessão sem expectativas de melhora no médio prazo.

Se a derrota é inevitável, seria um ato de bom senso tomar todas as medidas para garantir uma transição tranquila, sem precisar abrir mão de defender o mandato durante o processo de impeachment. O problema é que mesmo o mais otimista dos apoiadores do governo reconhece que o retorno de Dilma após os 180 dias de afastamento é muito remoto. E a presidente, diante da derrota iminente, prefere adotar a postura infantil daqueles que, ainda sem maturidade, não sabem perder de forma honrada.

Mesmo o presidente do Senado, Renan Calheiros, envolvido na Lava Jato e denunciado por corrupção, demonstra preocupação com a estabilidade política do País. Ontem, tomou um atitude importante ao informar que, se houver a necessidade de convocar a sessão conjunta das duas Casas Legislativas para votar a proposta que revisa a meta fiscal de 2016, vai fazê-lo.

Um tema tão importante já deveria ter sido apreciado na Câmara, mas não foi por determinação do presidente da Casa, Eduardo Cunha, que segue inacreditavelmente no cargo. Apenas para esclarecer, se a meta fiscal não for revisada, há o sério risco de paralisação na máquina pública, com consequências sem precedentes para o País.

Além da crise política e econômica, o Brasil também vive uma crise de bom senso que não se restringe à classe política. A retomada do crescimento passa pela superação dessa crise específica. Espera-se que a estabilidade seja retomada em breve e que os interesses da Nação sejam postas em primeiro lugar.