Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
Editorial

O Brasil mira o caos


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03/06/2020 às 08:21

O dia seguinte brasileiro, pós-confrontos no domingo, revelou, de um lado, fraca disposição institucional para enfrentar a instabilidade política e, de outro, um cenário de ampliação dos protestos contra e favoráveis ao governo. A previsão de analistas quanto à aposta do governo federal numa situação de ruptura começa a se confirmar.

Os confrontos tendem a se tornar mais recorrentes. O efeito interno é imprevisível, mas o externo se revelará prejudicial ao Brasil. Investidores costumam desistir de países onde a turbulência político-institucional se prolonga por mais tempo, como demonstra ser o caso brasileiro. O destino do capital é deliberado em conformidade com algumas regras e mediante arcos de pressão promovida por vários setores sociais dos países onde esse capital tem sede.

Outro dado que pesa nas negociações levadas a cabo pelo governo brasileiro é o quadro político-econômico-social dos Estados Unidos, parceiro preferencial em diferentes ações e projetos. Em recessão, os EUA vivem uma aguda crise, o desemprego atinge aproximadamente 40 milhões de pessoas enquanto o racismo torna-se foco de movimentos de protestos em praticamente todo o território norte-americano. O presidente Donald Trump vive um dos seus mais graves momentos e decidiu reagir atacando governadores, aumentando o tom das ameaças que produzem mais adesões e mais manifestações nas ruas de diferentes grupos de pressão.

No Brasil, sem um plano objetivo para retirar a economia da inanição, o ministro da área salta de galho em galho e aponta como único alvo a privatização de empresas. Sem poder de decisão, a cada iniciativa do Ministério da Economia há, dentro do governo, outras, a começar as da Presidência da República, desfazendo o que estava ou seria proposto.

Esses sinais de governança em permanente estado de colisão estão sendo lidos por segmentos que têm negócios no País e, nesse momento, decidem se irão ampliar ou encolher a participação, e, por outros que estudam trazer seus empreendimentos para o Brasil. Internamente, o desemprego alcançou em maio a casa de 13 milhões de brasileiros economicamente ativos e a informalidade 38 milhões. Esses números tendem a falar alto nas manifestações que estão sendo programadas nacionalmente.


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