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Editorial

O Brasil sob teste

30/03/2016 às 23:35
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O 31 de março volta a colocar o Brasil em foco mundial em torno das lutas democráticas. A data marca dois momentos: a série de manifestações em defesa da democracia que ocorre em centenas de cidades brasileiras e o aniversário de 52 anos do golpe militar no País. Mergulhado numa crise política que paralisa os investimentos, as ações do governo e agrava os problemas na economia, o Brasil vive um importante teste do seu processo de redemocratização.

Passar nesse teste é a pergunta que está na cabeça da sociedade e principalmente dos que lutaram e lutam para recolocar o País numa experiência democrática em crescimento e modernizá-la permanentemente, com o fortalecimento das instituições. O combate a corrupção está no cerne e, em torno dele, são alimentados os posicionamentos favoráveis e contra o Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores, e mais que isso, são alimentadas as disputas que até agora se revelam mais pelo interesse de conquista de poder do que enfrentar os sérios problemas nos quais a nação está submetida.

É o que deixa evidente a declaração feita pelo vice-presidente da República Michel Temer, presidente nacional do PMDB, quando anuncia logo após anúncio do rompimento da legenda com o Governo Federal sua disposição de ser candidato nas eleições presidenciais de 2018. Se as disputas que levaram o Brasil a tamanha instabilidade estão meramente demarcadas pelo processo eleitoral de 2018, o que fica exposta a irresponsabilidade político-partidária de um grupo de siglas, demonstrando que pouco importa o caos ou ainda que criar e alimentar o clima de caos é parte da estratégia mais imediata e por ela todas as cartas estão sendo jogadas.

Os brasileiros, em sua maioria, querem a estabilidade política e econômica e o combate efetivo da corrupção. Se jogadas apenas as pedras até agora lançadas, um dos primeiros efeitos possíveis é o de combinar ações que descaminhem esse combate e retire do foco as inúmeras formas de manter em ativa o sistema endêmico que alimenta a corrupção nacional. O 31 de março é uma baliza daquilo que os brasileiros não querem viver de novo e o que desejam ver superado, como as práticas corruptas. Falta ao País uma voz mobilizadora que faça, amparada pelo Estado de Direito e respeito estrito à Constituição, a travessia.