Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
Editorial

O Brasil tem pressa


Minist_rio-da-Economia-foto-de-Anesp_528AFB84-56E9-404B-B89D-F8FF12EE86C2.jpg
29/05/2020 às 08:41

Os efeitos danosos da pandemia do novo coronavírus começam a se manifestar nos  indicadores econômicos que vão definir o tamanho da recessão que nos espera. Dados relativos a desemprego, produção e investimentos, entre outros, revelam o pior cenário em muitos anos, o que exige um plano estratégico de longo prazo, uma vez que já é consenso entre especialistas que a recuperação não será em forma de “V” – uma batida rápida no fundo do poço seguida de retomada acelerada –, o mais provável é um panorama de lentidão econômica com longa sequência de indicadores desfavoráveis. Hoje será anunciado pelo IBGE o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. As estimativas mais conservadoras apontam para queda entre 1% e 2%. Já no segundo trimestre, com os meses mais impactados pela pandemia, a expectativa é de uma queda acentuada de até 10%.

Com a economia cambaleando, a população ocupada encolheu mais de 5% de janeiro a março, o que representa uma perda de quase cinco milhões de postos de trabalho. Outros cinco milhões  são os desalentados, pessoas desempregadas que desistiram de procurar trabalho. Com o desconfinamento, que alguns Estados – o Amazonas entre eles -  já estão colocando em prática, as empresas reabertas terão que se ajustar a um cenário completamente novo, o que pode indicar ampliação do desemprego nos próximos meses, tornando ainda mais dramática a situação no mercado de trabalho nacional. 

A crise econômica soma-se à crise política que só se agrava. O maior tensionamento entre governo federal e Supremo Tribunal Federal (STF), além de não ajudar em nada, ainda tem potencial econômico catastrófico, ao afastar investimentos e criar um ambiente de instabilidade terrível para os negócios. A situação é muito bem resumida na análise do economista Rafael Bevilacqua: “Estamos, novamente, perdendo energia discutindo ideologia, quando deveríamos estar vendo medidas econômicas para estimular a economia, para sair dessa zona de recessão. Estamos perdendo o momento da retomada econômica por conta dessas discussões”. É bem nessa linha mesmo. O Brasil precisa parar de perder tempo e energia em quedas de braço entre instituições no momento em que a crise sanitária avança nas grandes capitais sem qualquer sinal de enfraquecimento.  
 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.