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Editorial

O caso Renan e os desdobramentos

07/12/2016 às 23:06
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A permanência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, como decidiu no final da tarde de ontem a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) resolve um impasse. E cria inúmeros problemas. Na lista da crise mais política, institucional, ética que econômica, o caso Renan desdobra-se em outros. Afinal, por que antecipar monocraticamente o afastamento do presidente do Senado e não aguardar a reunião do colegiado?

Trata-se de medição de forças, de testar quem tem mais poder ou de enviar recados? O que está ocorrendo com os membros máximos dos três poderes? Se é medição de força, o senador Renan Calheiros aparentemente venceu o segundo round  e deverá apressar os pacotes em votação no Senado, como disse que aconteceria o presidente Michel Temer (PMDB-SP). E qual será a reação da sociedade diante do quadro criado?

As decisões que estão sendo tomadas têm em comum o fato de atropelarem todo o processo de negociação, de conversas, dos debates. São colocadas e aprovadas como rolo compressor. Não se desconsidera a importância dos temas postos nos pacotes governamentais atualmente discutidos no Congresso Nacional. E sim como em um curto prazo de tempo um modelo autoritário passou a vigorar como forma de tratar de matérias tão sensíveis.

Na presidência do Senado, Renan Calheiros embora réu sai fortalecido para tomar decisões entre as quais a de acalmar ânimos mais próximos e ampliar apoios. O STF arranhado em controvérsias critica o senador Calheiros por ter virado as costas para a decisão da Justiça, o impede de assumir a Presidência da República, em caso da ausência de Temer, e o mantém no comando do Senado.

Quais os elos desse imbróglio com as manifestações populares? E com as decisões que estão sendo tomadas no Congresso Nacional? Pacotes de tamanha repercussão na vida dos brasileiros, costurados em clima dessa ordem, e por personagens sob investigação judicial por comportamentos suspeitos de irregularidades carregam na origem erros graves e podem levar o País a situações mais duras e difíceis.  Há erros e inabilidades administrativas em série como se o cenário da crise fosse uma ficção manejada de acordo com os interesses de poucos cujas atividades e condutas estão amarradas a compromissos constitucionais, mas parecem ignoradas.