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Editorial

O ciclo vicioso das invasões

13/03/2019 às 08:25
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Ontem, mais uma invasão foi desmobilizada pelo poder público em Manaus, desta vez no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste da capital. Mais de 500 famílias foram retiradas de uma área cuja ocupação começou há mais de dois anos. O cenário foi o habitual: a polícia chega paramentada para dar apoio às máquinas que  promovem a destruição dos barracos sob os olhares tristes de quem deixa o espaço que já considerava sua moradia definitiva.

É o cumprimento de um ciclo vicioso: algumas famílias invadem determinada área  - geralmente coberta por vegetação -, desmata, promove dano ambiental  muitas vezes irreversível e se instala no local. Logo, outras famílias percebem a oportunidade de obter um terreno para chamar de seu e começam a engrossar a ocupação que rapidamente se torna uma comunidade plenamente constituída. Até que um dia, governo do Estado, Prefeitura, ou o próprio dono do terreno, por meio da Justiça, resolve que é hora de tomar uma providência.

O poder público precisa mensurar melhor o momento de agir. Não é razoável esperar a invasão se consolidar, o dano ambiental se concretizar, as famílias invasoras implantarem infraestrutura para perceber que a ocupação é irregular e deve ser desfeita. No caso específico da invasão na Colônia Antônio Aleixo,  a desocupação só ocorreu porque aquela comunidade, por estar muito próximo a uma região de mata, acabou sendo alvo de um surto de malária, pondo em risco todas as comunidades ao redor. Não precisava esperar a malária se manifestar. É preciso agir com mais proatividade.

Infelizmente, a indústria da invasão é uma realidade em Manaus, e isso só pode ser combatido com planejamento e estratégia. É necessário desenvolver formas de identificar a formação das invasões logo no início e interromper o crescimento da ocupação. E isso pode começar agora mesmo; neste momento, há vários focos de invasão em plena expansão na cidade de Manaus. No Distrito Industrial, por exemplo, há comunidades que vem se desenvolvendo já há alguns anos sem que nada seja feito em terras federais.

Outra ação indispensável e muito eficaz contra as invasões é a promoção de políticas públicas de moradia, com oferta de unidades habitacionais populares e a preços acessíveis. Certamente, quem está na invasão preferiria morar em um local estruturado e com segurança. É preciso dar essa opção às pessoas em vez de apenas reagir em face de grandes invasões.