Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
Editorial

O destino do reservatório do Mocó


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14/10/2020 às 00:54

As decisões que estão sendo anunciadas para o Reservatório de Água do Mocó põem em alerta não somente a equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como a sociedade manauara. O processo de privatização no Brasil tem como uma das marcas a da não valorização dos patrimônios do País e, mais especificamente, das cidades onde efetivamente esses se encontram.

Nesse momento de expansão da política privativista nacional, do mercado de águas ampliar a faixa de participação no território brasileiro, é fundamental o acesso a informações que cruzadas possam desenhar com maior clareza os planos de empresas que exploram o serviço de água em Manaus e qual o papel do Reservatório do Mocó nesse enredo de ações mercadológicas.

Inaugurado há 121 anos, em 1899, o empreendimento de aproximadamente 10 mil metros quadrados, instalado na rua Belém, na região conhecida como Praça Chile, foi projetado para enfrentar as dificuldades no abastecimento de água aos moradores de Manaus do final do Século XIX. A obra é um dos frutos do ciclo da borracha em um dos momentos de maior pujança e, desde março de 1995, tornou-se parte do patrimônio histórico do Brasil. É um dos belos conjuntos arquitetônicos da cidade em estilo neorrenascentistas, lugar de atração turística e com capacidade para abrigar performances artísticas-culturais como serviço à população e a visitantes.

Dados de 2018 informam que o Reservatório do Mocó abastece 250 mil moradores da cidade. Nos últimos dias, em função de vazamento, possivelmente em um dos grandes tanques d’água do local veio a público a informação de que o reservatório será transformado em museu.  A tomada de decisão sobre o que será feito e como será feito naquele espaço não pode ser de um grupo específico vinculado principalmente aos negócios do mercado. Tanto os governos estadual e municipal quando a população de Manaus, por meio de suas representações institucionais e sociopolíticas necessitam ser incluídas como parte ativa do processo ora em andamento. Enquanto em outras cidades brasileiras e em diferentes regiões do mundo os arranjos criativos e tecnicamente responsáveis preservam e conservam acervos do patrimônio histórico, em Manaus, o histórico do solapamento e da destruição desses bens é maior do que aqueles que numa luta árdua de técnicos do IPHAN e do apoio de coletivos consegui salvaguardar. Que o Mocó seja resguardado da voracidade do mercado.
    
 


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