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Editorial

O dia seguinte pós-greve geral

29/04/2017 às 00:19 - Atualizado em 29/04/2017 às 00:23
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O que ocorrerá no pós-greve geral no Brasil? As manifestações, convocadas pelas principais centrais sindicais, movimentos sociais e líderes de instituições e de igrejas  paralisaram escolas, os serviços de transportes públicos nas grandes capitais e fechou várias lojas comerciais, entre outras atividades. Em Manaus, mais de 500 mil pessoas (dados do sindicato das empresas de ônibus) ficaram impedidas de usar esse meio. Em vários municípios do Amazonas ocorreram manifestações.

Ao governo de Michel Temer há um indicador do tamanho da insatisfação popular provocada pelos modelos de reforma trabalhista e previdenciária defendidas pelo governo e maioria dos congressistas. Os protestos nacionais revelam como senadores e deputados, nas cidades, terão que agir daqui para frente considerando o fato eleitoral do próximo ano. O comportamento da base aliada daqui para frente será o norteador do governo para prosseguir com as propostas nas condições que ora se encontram ou refazer caminhos e organizar outras alianças.

Com elevado índice de desgaste junto à sociedade brasileira, o presidente Temer terá nos próximos dias mais obstáculos para aprovar as propostas. Não somente as duas grandes reformas, mas com elas outras alterações que estão desmontando estruturas ainda não consolidadas e que tinham a responsabilidade de fazer a presença do Estado chegar em lugares onde se manteve ausente, como os programas de atenção às populações mais pobres.

Insistir na tecla única de que os protestos foram feitos por baderneiros e vândalos já não se sustenta. Milhares de brasileiros, de todas as idades, e praticamente em todas as capitais dos Estados se manifestaram com expressiva adesão das populações das chamadas cidades interioranas. Centenas de categorias apresentaram seus posicionamentos de rejeição ao pacote de medidas do governo federal. A continuar nessa postura, de negociar em larga escala cargos e outros favores com os congressistas, o presidente Michel Temer enfrentará dificuldades maiores ao mesmo que incentivará, desse modo, novos protestos e confrontos cuja proporção e consequência não podem ser mensuráveis nesse momento.

Se o Brasil é uma democracia, como alguns analistas repetiram ontem, decisões que impactam de forma tamanha a vida das pessoas não deveriam ser tomadas da forma como os poderes Executivo e Legislativo estão fazendo.  Falta legitimidade ao governo e pesa sobre o Congresso Nacional graves denúncias retirando da maioria dos congressistas as condições legais, legítimas e morais para deliberar sobre esse pacote de reformas. Fica a questão: quem patrocina o vandalismo? Quem são os vândalos?