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Editorial

O dilema do Centro

27/05/2017 às 14:12 - Atualizado em 27/05/2017 às 14:14
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O centro de Manaus é o coração da cidade. É lá que estão os símbolos históricos da capital, como o belíssimo Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa e a Igreja Matriz. Os atrativos arquitetônicos de uma área moldada no glamour da Belle époque estão entre os principais apelos turísticos de Manaus, um enorme potencial que nunca foi plenamente aproveitado porque está a cada dia mais oculto no caos urbano que toma conta do Centro.

É preciso reconhecer os esforços da Prefeitura para reordenar o Centro da capital, realocando os camelôs em galerias populares, transformando-os em microempreendedores por meio de capacitação. Mas também é preciso admitir que essa iniciativa falhou. O poder público precisa analisar o que deu errado e tomar providências para corrigir os rumos. O projeto original da Prefeitura era bom, mas a implementação negligenciou muitos detalhes importantes. Alguns fatores para esse fracasso são bastante claros. Não basta retirar os ambulantes das calçadas, no dia seguinte, outros estarão lá para ocupar o lugar. Não se muda uma cultura de décadas da noite para o dia. Deve haver vigilância constante para impedir a retomada das calçadas e ruas por vendedores. Vigilância permanente, pelo tempo que for necessário, até o dia que ninguém mais pense em montar sua barraca na calçada, pois terá a certeza da remoção imediata.

Por outro lado, a Prefeitura precisa zelar pelas condições de trabalho dessas pessoas. Os camelôs acreditaram na proposta, saíram das ruas e foram para as galerias. Não podem ficar lá esquecidos. É preciso estrutura, banheiros funcionando, limpeza urbana, segurança. Sem essas condições, os camelôs vão buscar alternativas. E a primeira delas é voltar para a calçada. São apenas pessoas tentando sustentar suas famílias. Lideranças empresariais questionam: “por que não ficam nos bairros?”. Ocorre que nos bairros o excesso de ambulantes também é um problema. Vale  lembrar que o shopping T4, na zona leste, inaugurado há mais de um ano,  continua vazio, quando poderia abrigar todos os ambulantes que tornam o trânsito quase impossível na área da Feira do Mutirão.

O Centro precisa ser resgatado com urgência. Os relatos de lojistas e funcionários das lojas são preocupantes. Aumento da criminalidade, com assaltos frequentes, inclusive contra turistas, é apenas um dos problemas. A sensação geral é de abandono. O povo simplesmente deixa de frequentar o Centro, que já foi a região preferida para compras, e optando pelos shopping centers. Ainda há tempo de salvar o Centro, mas a ação emergencial precisa ser bem planejada, com seriedade e responsabilidade.