Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

O dólar e a Zona Franca


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24/02/2020 às 07:26

A alta do dólar e os efeitos negativos na Zona Franca de Manaus expõem uma fragilidade do modelo amazonense, a elevada dependência de importações para manter a produção ativa. Como o principal setor industrial é o eletroeletrônico, é necessária a importação intensa de componentes de alto valor agregado, principalmente oriundos de  fornecedores asiáticos. Com a cotação do dólar nos patamares atuais, o custo de tais insumos encarece a produção a ponto de comprometer até mesmo a viabilidade das operações. Resta às empresas ajustar-se ao momento e aguardar condições mais favoráveis. Até aí, nada demais. Já passamos inúmeras vezes por situações semelhantes.

Ocorre que essa dependência de importações, frequentemente, é usada como fundamento para críticos do modelo industrial que dizem que a ZFM contribuiria para o desequilíbrio da balança comercial brasileira -, uma argumentação equivocada, afinal, os fabricantes de bens finais de alta tecnologia não estariam aqui instalados não fossem as vantagens tributárias do modelo. Sequer estariam no Brasil, e o País teria que importar boa parte dos bens que hoje são fabricados em Manaus, o que impactaria a balança de forma ainda mais severa.

Sem os incentivos, as multinacionais não se mudariam para outras regiões brasileiras, como alguns acreditam, buscariam abrigo em outras zonas incentivadas existentes aqui mesmo na América do Sul. As “zonas francas” são uma realidade mundial e não podem ser ignoradas pelos que defendem o “liberalismo” absoluto.

Encerrar bruscamente o modelo incentivado de Manaus significaria exportar mais de 70 mil empregos para outros países, e os desempregados ficariam aqui no Amazonas. O estado é que arcaria com o impacto social do fim repentino de tantos postos de trabalho. Já temos uma pequena amostra disso nos últimos anos, quando o desaquecimento econômico reduziu o nível de emprego industrial praticamente pela metade, com reflexos nos demais setores da economia local.

Defender a Zona Franca não é “jogar pra torcida”, é ser coerente com a realidade do Estado. O modelo não é perfeito e precisa de ajustes para ser mais eficiente nas décadas que lhe restam, mas isso só pode ser feito com ações concretas e equilibradas, não com críticas vazias para sustentar uma visão míope de liberalismo econômico.

*Foto: Arquivo AC


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