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Editorial

O dom do cuidado

13/05/2017 às 15:27 - Atualizado em 13/05/2017 às 15:31
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O que querem as mães? Uma escuta mais cuidadosa chegará à conclusão de que as mães querem algo bem diferente dos presentes que a maioria costuma receber. Menos material e mais afetivo. Mães carregam o dom do cuidado, do querer bem e da disposição enorme de se colocar a serviço do bem-estar daqueles que acolhem como filhos sejam esses de sangue ou de coração.

As mães estão preocupadas. Veem os filhos, alguns deles adolescentes, jovens, ora estampando o noticiário policial ora em descaminhos pela falta de trabalho de escola, de uma ampla rede de proteção e de incentivo para que se tornem pessoas adultas autônomas, responsáveis e éticas. Mães olham os bairros, as comunidades onde estão inseridas e tentam desenhar um futuro novo a seus filhos desenvolvendo exercícios de várias ordens para vencer os obstáculos, as desilusões e as incertezas abrindo caminhos aqueles que chamam de filhos. Querem vê-los felizes.

Na atualidade, os motivos de tristeza são maiores que os de alegria porque as mães não são seres do egoísmo e sim da partilha, da re-união, do re-encontro, do juntar, de um enorme querer todos por perto e aceitar, com coragem de desejar um verdadeiro “fique bem” àqueles filhos que não puderam ou não quiserem ficar. E é esse sentimento que faz falta ao mundo de agora quando o egoísmo prevalece sobre outras noções de convivência e o apego ao material desafia as afetividades mais perenes. Filhos ignoram mãe e pai e esses, quando podem, tentar compensar com presentes a ausência prolongada ou o não cuidado.

As conversas deixaram de acontecer. Mesmo que reunidos em um único espaço estão separados por pequenas máquinas onde cada um cria o seu mundinho e a partir dele estabelece seus relacionamentos. É esse amor, que resiste aos ataques de todo tipo e consegue se pronunciar, o fio pelo qual se torna possível reestabelecer alianças e melhorar os ambientes de convivência, aproximando, promovendo diálogos, abraços e o olhar nos olhos. É nesse fio de amor que a humanidade, compreendida desde o núcleo familiar até o grupamento mais longínquo que residem possibilidade de mudar as regras de uma convivência do mundo marcada pela violência por outras marcadas pelo respeito e amor em meio a tantos conflitos. Mães produzem milagres.