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Editorial

O dono da dor

30/03/2017 às 21:44
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O cancioneiro popular consagrou o dito segundo o qual somente  “o dono da dor sabe onde dói”, sinalizando que ninguém conhece realmente o que o outro traz consigo, que esperanças tem, quais perspectivas vislumbra para sí e para seus familiares. De qualquer maneira, a dor enceta solidariedade, a mais humana das qualidades. A dor, simbolicamente, também nos chama atenção, pois coloca as pessoas sob a perspectiva  do outro num certo sentido de pensar que “hoje é com ele e amanhã pode ser comigo”. Somente o ser humano consegue ter essa complexa rede de associações e ao final expressar  solidariedade para  com o outro.

Pois é na dor de ver a falta de estrutura, a falta de pesquisas, a falta de entendimento sobre os casos que surgiu a Associação de Amigos do Autistas do Amazonas, uma organização dedicada a luta pelos direitos dos portadores do autismo, um transtorno pouco estudado pelos especialistas das ciências médicas e os especialistas das ciências humanas, pedagogos, por exemplo.

E para chamar atenção de toda a sociedade, a associação promove de hoje até o dia 8 de abril a “Programação Azul”, que está inserida nas celebrações  pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas em 2 de abri.

De acordo com os associados, o “objetivo das ações é conscientizar e informar a sociedade sobre o que é o autismo e como lidar com o transtorno”. Já no domingo haverá no Complexo Turístico da Ponta Negra  a caminhada “Manaus Toda Azul” para ajudar a divulgar, com distribuição de panfletos, maiores informações sobre o autismo e orientar pais para certas características que podem sinalizar para a existência do transtorno entre seus filhos, posto que o diagnóstico é um dos maiores mistérios, sendo necessário entender os graus e as características que elas assumem em cada pessoa.

Neste sentido, é bom lembrar as autoridades e a própria sociedade que o autismo e umas tantas outras síndromes e doenças raras que precisam estar no radar de ações governamentais com vistas a garantir uma melhor qualidade de vida a todos, pois assim todos nós, governos e sociedade, estaremos sentido parte da dor de quem sabe onde dói e podendo levar a estes o que de mais humano nós temos, a solidariedade nos momentos de maiores dificuldades.