Publicidade
Editorial

O drama da falta d'água

13/12/2016 às 20:56
Show  gua05

A falta de água é uma das maiores preocupações das populações do Norte brasileiro. Oitenta e quatro por cento dos habitantes de 178 municípios disseram ser esse um dos mais graves problemas que enfrentam. Os dados são da pesquisa dos institutos Datafolha e Máquina de Pesquisa divulgados na edição  de Cidades, de ontem. A falta de água tem sido tema recorrente nas páginas de A CRÍTICA como relato do drama enfrentado por milhares de famílias.

Os números da pesquisa confirmam o quanto esse drama afeta a vida das pessoas. Mostram o peso dessa calamidade  nos municípios para além das capitais e das regiões metropolitanas. É no interior do País, da Região Norte, onde a falta de água ganha dimensão inaceitável e, ao mesmo tempo, desconhecida e distante da abordagem da mídia nacional.

O quadro mostra o quanto o problema tende a se agravar por conta de vários fatores. O processo de contaminação dos rios, dos lagos e dos igarapés cresce vertiginosamente; os grandes projetos implantados e em implantação na Amazônia repercutem negativamente no acesso à água em qualidade de consumo e tornam mais distante as formas de acesso bem como elevam o valor de aquisição da água.

O País e a região detentores da maior bacia de água doce do mundo sofrem pressões de várias  ordens. Hoje, ostensivamente, vários segmentos discutem como fazer negócios com as águas da Amazônia. Alguns negócios já foram feitos e estão fechados, outros, como a transferência de água estão em debate sem que os povos dessa região dele participem. Vem sendo conformizado o que estudiosos no passado alertavam ao afirmarem que  a água seria a próxima razão de conflitos mundiais. É o que se constata na atualidade.

Enquanto milhares de pessoas não têm acesso água, os conglomerados discutem forma de ampliar a privatização dos mananciais e de aumentar os lucros ao transformar essa matéria-prima em mercadoria. O preço pago pelo acesso a água em condições de consumo numa cidade como Manaus pesa no orçamento e muitas famílias sem condições de pagar são obrigadas a recorrer a água imprópria ao consumo. É extremamente sério o que está se consolidando como falta d'água e agravamento das condições de saúde das populações.