Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Editorial

O efeito do reajuste no preço do gás


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07/05/2019 às 07:52

O último reajuste no preço do gás de cozinha, de 3.4%, é mais um aperto nas finanças da população brasileira. Em fevereiro, a Petrobrás havia reajustado o valor em 1% e, desde sexta-feira, quando anunciou mais aumentos, entre os quais o do gás, a estatal demonstra que irá seguir o movimento em curto prazo para esses reajustes.

Embora a correlação da tabela de preços desses produtos esteja vinculada a atmosfera internacional, torna-se cada vez mais necessário que o governo reveja os procedimentos e os coloque na balança dos custos dessas elevações a situação do País, com aproximadamente 14 milhões de desempregados, o dobro desse número em subempregos e milhares em situação de desocupação.

Em Manaus, onde já se paga valor alto pela botija de gás, o reajuste tem repercussão forte no orçamento da maioria de famílias. A mesma condição vale para os demais municípios, principalmente os mais distantes, onde os preços dos produtos e serviços são estabelecidos por outros critérios particulares do mercado que se impõe isoladamente. Ou se tem o dinheiro para pagar o preço do gás ou se cozinha a base de lenha. Em Benjamin Constante, na região do Alto Solimões, antes do aumento de preço, uma botija de gás custava R$ 64,00. Se mantido o porcentual determinado pela Petrobrás para a distribuidora, o novo valor chegará a aproximadamente R$ 67,00, mas desse ponto até os revendedores o caminho é longo e, nele, os porcentuais de reajuste são maiores ainda. Há cidades amazonenses onde o preço do gás liquefeito de petróleo é vendido por R$ 100, 00 a R$ 150,00.

 Faltam aos técnicos da área dentro do governo sensibilidade para fazer a outra conta. Incluir nela o tamanho do reflexo de todos os reajustes e de alguns produtos e serviços que são fundamentais à vida das pessoas. Os salários estão congelados enquanto a população assiste todo dia uma explicação para um aumento novo. No conjunto, parte das medidas tomadas pelo governo impacta negativamente nas condições de sobrevivência das famílias brasileiras que já se encontravam em dificuldades. Comprar a botija de gás ou comprar alimentos ou remédios, tem sido a decisão difícil, anônima, que muitas pessoas no interior do Brasil estão tendo que enfrentar.


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