Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Editorial

O embate em torno do desmatamento


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10/08/2019 às 09:04

O nível crescente de desmatamento na Amazônia - de 45,5% no mês de julho – ocorre em meio a tomada de decisões por parte do governo federal que apontam para duas situações preocupantes, o desmonte da estrutura de fiscalização ambiental do País, e a redução da ação fiscalizadora na Região Amazônica. Os efeitos dessas operações tendem a colocar o Brasil em situação difícil com os países que adotam normas e critérios de conservação, preservação e manejo adequado das florestas como uma das principais garantias para fazer negócios e oficializar parcerias.

O porcentual de desmatamento na Amazônia divulgado há três dias é de responsabilidade do setor de Detectação de Desmatamento em Tempo Real (Deter) com avaliações do laboratório do Clima. Os dados apontam que foram devastados o equivalente a uma área de 1 mil quilômetros quadrado na primeira quinzena de julho deste ano, o que representa, na comparação com igual período do ano passado, aumento de 68%.  O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) não divulgou os dados e, na nova configuração que está sendo implantada nesse setor, as informações sobre desmatamento serão primeiro submetidas a apreciação do presidente da República que decidirá como e o que será divulgado.

Há uma semana, aproximadamente, o então diretor do Inpe, pesquisador Ricardo Galvão, foi exonerado por decisão pessoal do presidente Jair Bolsonaro, insatisfeito com os números sobre desmatamento na Região Amazônica divulgados pela direção do instituto.  Essa é mais uma das instituições vinculadas ao governo federal que passam por alterações não apenas no comando e sim nos processos de coleta e divulgação dos dados obtidos.

A outra é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cuja função é relevante no que se refere ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro e seus dados servem para compor inúmeros indicadores e tendências e subsidiar a pesquisa cientifica. Cabe ao IBGE produzir e analisar informações estatísticas, coordenar e consolidar as informações estatísticas, produzir e analisar as informações geográficas, estruturar e implantar o sistema de informações ambientais, documentar e disseminar informações, e coordenar os sistemas estatístico e cartográfico nacionais.

Nos dois casos, se a intenção de suavizar dados para combinar a implantações de projetos que necessitam de mais áreas desmatadas, o cenário amazônico será fortemente atingido e as consequências envolvem perdas e tragédias sociais envolvendo populações mais vulneráveis.


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