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Editorial

O fator Dodge

17/09/2017 às 22:00
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A nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, toma posse hoje com várias  missões espinhosas pela frente e com repercussão geral em todas as instâncias do Judiciário brasileiro.

A começar pelas ações contra o presidente da República, Michel Temer, apresentadas pelo ex-chefe do MP, Rodrigo Janot. O que ela fará e quais ações proporá neste particular? É uma questão que todo o mundo político e jurídico estão a esperar uma resposta.

Raquel Dodge terá a missão de dar seguimento a uma tradição de pro-ativismo inaugurado pelo procurador Carlos Fonteles, no primeiro governo Lula. A partir daquela gestão o Ministério Público abandonou a pecha de ter um engavetador geral da república para ter um dirigente ativo e que instituiu-se no imaginário popular como os grandes combatentes da corrupção nacional, uma chaga que irrita toda a nação brasileira.

A corrupção, sempre é bom lembrar, é um mal que atinge todos os países do mundo, mas no Brasil tem um componente diferenciado que é a impunidade. Combater a impunidade é dever de todo procurador geral e todos os membros dos ministérios públicos. Neste sentido, a impunidade começou a ser combatida com as ações da operação Lava Jato, que já colocou  atrás das grades potentados da política e da economia brasileira. Colocar criminosos do colarinho branco na cadeia é um dever do MP, agora sob o comando de Raquel Dodge.

Assim, o brasileiro espera apenas que a nova procuradora, a primeira mulher a tomar a chefia do MPF, tenha a mesma coragem de combater os poderosos e siga com a determinação de manter os que transgridem a lei recebendo a devida punição.

Essa determinação é um imperativo que a procuradoria, com a independência que a Constituição Federal lhe concede, tem para ajustar o Brasil ao que sua população quer e busca. Sem uma linha reta para seguir, a procuradora Dodge pode causar um retrocesso que ninguém pensa ser possível hoje.