Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
Editorial

O futuro do 'Future-se'


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04/10/2019 às 07:03

O programa Future-se, do Ministério da Educação (MEC), vem enfrentando grande resistência por parte das instituições federais de ensino superior, inclusive da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que ontem realizou paralisação de 24 horas em protesto contra a iniciativa. Em linhas gerais, o programa cria novas formas para captação de recursos do setor privado que poderão ser usados para  custear projetos de pesquisa, extensão e até cursos de pós-graduação. A intenção parece boa, principalmente em face da situação crítica do orçamento federal. Mas esbarra em algumas questões fundamentais, como a possibilidade de redução na autonomia nas instituições, mercantilização da estrutura universitária – prédios e laboratórios, por exemplo, poderiam ser “alugados” à iniciativa privada -, além do risco de esvaziamento da pesquisa nas setores que trabalham com conhecimento “bruto”, como áreas das ciências humanas que não se ocupam em gerar produtos comerciais, mas conhecimento para entender e explicar a sociedade.

Não se pode acusar o MEC de indolência. A proposta ataca um problema sério: a carência de recursos causada pelo aperto orçamentário, o que se faz sentir em todas as pastas, inclusive com risco de paralisação de serviços públicos federais. O problema reside nos pontos polêmicos já citados, na forma como tem sido apresentado e até na postura agressiva do ministro e do governo de forma geral com a comunidade universitária, incluída de forma equivocada em uma cruzada ideológica que não contribui para a solução dos problemas do País.

Há ainda um outro ponto: diante da escassez de recursos, faz-se necessário determinar quais setores serão mais ou menos atingidos pelo contingenciamento de verbas. E a educação, infelizmente, não está entre as prioridades.  Ao contrário, universidades e institutos federais estão entre os principais alvos dos cortes. O Future-se surge, então, com uma saída simplista: entregar o ensino e a pesquisa ao setor privado, sendo que nem é certo se as empresas terão interesse em fazer tais aportes.

Mas a iniciativa ainda pode ser salva. Várias propostas foram enviadas ao governo, que agora vai avaliá-las e, espera-se, deve promover mudanças no projeto. Mas isso deve ser acompanhado de uma mudança no relacionamento com as instituições de ensino, que devem ser ouvidas e tratadas com respeito e civilidade.


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