Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Editorial

O grito dos povos em Brasília


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25/04/2019 às 07:13

Os indígenas iniciam, em Brasília, o 15º Acampamento Terra Livre, já classificado como a maior assembleia indígena nacional e uma das maiores do mundo. A mobilização que seguirá até o dia 26, chama atenção para questões centrais no País quando governos são confrontados pela economia de mercado e os anseios das diferentes sociedades que compõem países com as características das do Brasil.

Os povos indígenas têm sido tratados pelos sucessivos governos brasileiros como obstáculos ao desenvolvimento. Não houve até hoje a prática efetiva de uma política de reparação histórica pelo genocídio de milhares de indígenas, ao contrário, foram executadas políticas governamentais nas diferentes áreas que reforçaram a ideia de civilizar os indígenas para que pudessem ser integrados à sociedade nacional, dito de outra forma, os indígenas deveriam deixar de se índios, abandonar suas culturas e abrir caminho para que o desenvolvimento pudesse acontecer.

As resistências desses povos vêm sendo feitas historicamente, reafirmando o direito à terra como direito à vida. E nessa composição secular, ensinam e reafirmam suas cosmologias e suas culturas que são adversas ao modelo de desenvolvimento proposto e preconizado no País e no mundo, caracterizado pela exploração extrema, submissão de populações a um determinado tipo de poder que estabelece quem pode ter acesso aos bens e quem deve assujeitar-se, excludente e voraz. A batalha travada pelos indígenas, nesse aspecto, é um movimento amplo em defesa da vida e dos direitos humanos que costumam ser devorados pelo modelo capitalista em vigência.

No Brasil, as decisões governamentais a partir do Ministério da Economia, se forem consumadas, terão consequências profundamente danosas aos povos indígenas, aos quilombolas, aos ribeirinhos e, no conjunto, à Amazônia. Os informes, ainda que superficiais, sobre os acordos internacionais do Governo brasileiro, apontam para abertura ampliada e de mão única da Amazônia ao capital internacional. A reconfiguração da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e dos conselhos de áreas apresentam, no conjunto, o sim governamental para a exploração dos recursos da Amazônia sem que se saiba, até agora, quais contrapartidas foram ou estão sendo negociadas. O novo governo até a presente data demonstra dificuldades para perceber o Brasil em suas diferenças e empacota tudo.


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