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Editorial

O jogo pesado pela conquista do Governo tampão

07/05/2017 às 19:47 - Atualizado em 07/05/2017 às 19:48
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Em 40 dias, pelo atual roteiro da Justiça Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) deverá realizar eleições para o mandato tampão dos cargos de governador e vice-governador do Estado. Até lá um conjunto de forças está mobilizada para fazer valer interesses mais restritos. Um deles ganhou evidência na última semana quando a Assembleia Legislativa anunciou o desejo de ter eleições indiretas, nesse caso, os próprios deputados decidindo quem devem assumir o comando do governo estadual até a eleição e posse do governador eleito em outubro de 2018.

Essa conduta da ALE-AM é um dos capítulos tristes da história do Poder Legislativo local exatamente por ignorar o limite do legal e do imoral em processos de tal ordem. Mas o Legislativo não tomou a decisão de se expor isoladamente, ao contrário, segue o ritmo das notas sintonizadas para testar possibilidades de emplacar o que, em tese, estaria fora de discussão.

Outras forças, dentro do que se chama de ‘jogo democrático’ saíram das sombras para se apresentarem publicamente como opções ao mandato tampão. Um aspecto é a explosão de arranjos para ver onde se reduz o volume de perdas a cassação do mandato do governador José Melo, e como articular ou rearticular forças que trabalhavam com outros cenários até as eleições de 2018.

Aos eleitores do Amazonas vale reforçar a importância de que também participem ativamente desse processo a fim de colocar as suas prioridades que são muitas. O espaço de governo ainda que o seja no modelo ‘tampão’ deveria ser no sentido de tornar menos traumático à população o processo ora vivenciado e que esse não venha a se constituir em mais sofrimento para as populações mais carentes do Estado. Por outro lado, há necessidade dessa participação crescer e se fazer notar antes, durante e após a votação. É nela que reside uma brecha real do outro extrato da democracia e sem ela ficará mesmo o jogo ficará mesmo nas mãos de poucos que têm interesses muito restritos e já conhecidamente demarcados, longe de representar uma postura em defesa da superação das dificuldades porque passam os amazonenses, não apenas os que moram em Manaus – de onde sai a pressão mais visível – como os que estão distantes e cujos lamentos não chegam a fazer eco nessa disputa.