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Editorial

O monstro da intolerância

08/10/2017 às 20:53
Show dcd

O Brasil precisa urgentemente de um elemento pacificador da sociedade nacional. Há tempos estamos entrando numa fúria de intolerância que não ajuda a Nação que há séculos vem sendo chamada de “futuro”, mas que não consegue dar conta de seu próprio presente. Não são poucos os problemas, mas poderíamos começar pelo fundamento cristão de dizer a verdade.

Com as facilidades introduzidas na cultura geral pela internet e suas várias e variadas redes sociais e mídias digitais o fenômeno da mentira se espalhou desassombradamente e sem qualquer controle. As tais fake news, notícias falsas, são disseminadas com uma velocidade espantosa, destruindo reputações, irritando adversários e, fundamentalmente, disseminando o ódio entre os diferentes.

O brasileiro, por suas características, há muito, deveria ver na sua sócio-diversidade uma riqueza a ser explorada e não um motivo para se abrir guerras em todas as frentes. Negros, indígenas, brancos, asiáticos, latinos, judeus, palestinos e mais recentemente haitianos estão no nosso dia-a-dia. Todos têm espaço cativo em nosso País, na nossa vida cotidiana e isso não é de hoje. Essa diversidade fomentou um caldo cultural dos mais ricos e deliciosos em nosso planeta. Pense numa feijoada, no churrasco do fim de semana, no sushi e no sashimi que hoje compramos por “delivery”, todas essas coisas não existem por ai facilmente, elas são construções locais, brasileiríssimas. São coisas nossas, como diria Silvio Santos em velhos programas dominicais.

Mas porque entramos nessa espiral de intolerância que agora tenta matar nossa arte, censurar exposições, constranger ícones de nossa cultura como Chico Buarque, num campo ideológico específico, e o cineasta José Padilha, no outro? São questões que envolvem quase sempre a mentira, o fake news, o boato semeado com objetivos escusos. Nada de bom sai da mentira, posto que, ensinou Jesus Cristo, só a verdade nos liberta. Nos liberta de tudo, do preconceito, do desamor, do ódio. É um dos ensinamentos mais profundos e belos da passagem do nazareno pelas nossas terras, mas o mais difícil de encontrarmos sendo praticado em nosso País nos últimos anos. Amor, senhores, eis o segredo para sairmos deste caldo virulento.