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Editorial

O nepotismo permanece

04/09/2017 às 20:19
Show nepotismo 123

O nepotismo está vinculado ao sistema de corrupção que atinge profundamente inúmeros países. No Brasil, a prática de empregar parentes tem sido exercitada em larga escala ainda que movimentos periódicos reivindiquem o respeito à legislação e aos princípios que regem a administração pública. Uma série de dispositivos tem sido colocada em operacionalização para ampliar o controle sobre os atos de nomeação de parentes por parte de autoridades públicas dos três poderes.

Avanços importantes ocorreram em especial quando o assunto torna-se parte da vigilância cotidiana dando ao mecanismo concurso público a valorização que precisa ter ainda que, por vezes, os editais sofram distorções e sejam elaborados em formatos destinados a contemplar determinados perfis de candidatos. É um instrumento legítimo e de maior transparência como deve ser tudo o que se refere a administração pública.  Infelizmente, o nepotismo não deixou de existir, ao contrário, permanece como recurso a ser acionado de acordo com o humor e a ética dos administradores de plantão.

Nos últimos tempos, assegurar a parentes cargos públicos de confiança é uma recorrência. O mapa dos parentes empregados em órgãos públicos ganhou contornos mais definidos. No Poder Legislativo, as famílias assumem espaços da atividade parlamentar em diferentes níveis. No âmbito do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais; não raro estão enlaçadas, por grau de parentesco, com os outros poderes formando uma grande rede de manejo dos interesses e das informações, enfim do poder de agir. Essa conduta corrói o Estado brasileiro e alimenta o sistema corruptor sustentando a ideia de que é natural agir dessa forma.

As construções feitas para assegurar emprego público entre os parentes, como o nepotismo cruzado, mostram o quanto a disposição dos gestores públicos é pequena para barrar o procedimento.  Combinações entre poderes tentam driblar os mecanismos de controle para engrossar o número daqueles que sem necessidade de se submeter a concurso público são conduzidos a postos com remunerações significativas e outras regalias. O avanço desse mal precisa ser de novo enfrentado com rigor pelos agentes públicos cuja tarefa é fiscalizar a conduta dos servidores públicos sejam eles o presidente da República, do Congresso Nacional, o governador do Estado ou o prefeito do município. O tratamento exige doses diárias de vigilância para criar condições de superar a contaminação completa da máquina pública.