Domingo, 01 de Agosto de 2021
Editorial

O outro jogo de poder da CPI da Covid-19


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05/06/2021 às 09:12

Os ataques aos senadores que coordenam a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 (CPI) crescem e são imediatamente explorados nas redes sociais de milhares, tanto dos que se colocam como defensores quanto os opositores do governo Bolsonaro, e seus grupos aliados.

O jogo do ataque e da defesa poderia ser compreendido como ato normal nesse tipo de ambiente e que não se constituiria em fato novo. No cenário atual não é assim e demonstra como o governo se mobiliza, em diferentes espaços e frentes, para desqualificar os senadores que respondem pela presidência, vice-presidência e relatoria da CPI. O processo de desqualificação está em pleno andamento e segue com gestos fortes, protagonizados por parlamentares que ignoram a exigência do decoro parlamentar e atuam com agressões e danos morais aos seus colegas de parlamento.

É como se não houvesse fronteira nesse embate e as agressões pudessem seguir naturalmente. Não são e deveriam, nesse momento, ser objeto de investigação e de tomada de posição por parte dos conselhos de ética do Congresso Nacional e pelo Ministério Público. Se os condutores da CPI ultrapassam a margem no trato dos depoentes, que sejam chamados a rever a conduta. O que não deveria ocorrer, embora já esteja concretizado, é jogo sujo que está sendo jogado por indivíduos representantes dos poderes Legislativo e Executivo.

A CPI, em execução, é processo legítimo do regime democrático e, nesse tema –  Covid-19 – está calcada em fortes indícios de que algo muito errado ocorreu no Brasil para que a sociedade vivesse o atual quadro de doentes, de mortes e das consequências dessa situação. O caso ocorrido em Manaus e em outros municípios do Amazonas, com mortes de dezenas de pessoas por asfixia porque não havia oxigênio, não pode ser considerado incidente. Nele estão inúmeros elementos que bem analisados irão ligar   pontos da programação que fez da capital do Amazonas um laboratório de testagem das outras práticas no tratamento dos doentes pelo novo vírus.

As demais ocorrências, a da política de vacinação dos brasileiros que passa pela disposição governamental de adquirir vacinas, é outro dado a ser esclarecido. O que está sendo feito agora é um enorme esforço de esvaziar a CPI, fragilizar e fazer desacreditar o relatório desta a fim de que não siga adiante. São operações político-eleitorais que têm o foco nas eleições de 2022.

 


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