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Editorial

O País do ‘jeitinho’

13/01/2018 às 14:03 - Atualizado em 14/01/2018 às 07:46
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Corrupção tem sido uma palavra cada vez mais frequente no noticiário nacional. Lava Jato, Maus Caminhos, Custo Político... Não faltam operações da Polícia Federal com suas infinitas etapas para expor os desmandos dos agentes públicos. Cientistas sociais avaliam a profundidade do problema, que não se restringe à esfera política. No serviço público, infelizmente, a corrupção também é um problema.

As pessoas costumam esquecer que aquela grana dada ao policial para passar na blitz, aquele “guaraná” dado ao agente público para que ele não corte a luz depois que o gato é descoberto, entre tantas outras atitudes relacionadas ao famoso “jeitinho brasileiro”, também são atos de corrupção. Exatamente o mesmo crime exposto nas manchetes de jornais e que tem levado para a cadeia políticos e empresários outrora influentes e poderosos.

São práticas que também acontecem no serviço público. Mas aqui, cabe uma ressalva: os servidores corruptos, felizmente, são minoria, uma pequena parcela que não pode manchar a dedicação de tantos outros que dedicam a vida em fazer a máquina estatal funcionar. Exatamente por isso, para honrar esses trabalhadores e trabalhadoras é que os mecanismos de controle precisam ser aprimorados para identificar e afastar do serviço público os maus servidores. Só nos últimos cinco anos, foram 269 servidores públicos punidos com expulsão no Amazonas, o que coloca o Estado na triste liderança no ranking de punições expulsivas por Estado. Proporcionalmente, são 10,8 expulsões para cada grupo de mil servidores ativos.

Os desvios de conduta sempre vão existir, no entanto, não podem ser banalizados, tidos como “comuns”. As pessoas jamais podem perder a capacidade de se indignar diante de casos de corrupção, grandes ou pequenos. É preciso dar um jeito no Brasil para acabar de vez com o “jeitinho”. Usar verbas de auxílio-moradia quando se tem imóveis próprios  - prática comum tanto no Legislativo como no Judiciário - não é motivo para se achar esperto. Deveria ser motivo para ter vergonha. É apropriar-se de recursos públicos nem que haja necessidade para tal, e aplicar em benefício próprio, para engordar o próprio patrimônio. Enquanto a população não se indignar diante disso, o Brasil vai continuar sendo o País do “jeitinho”.