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Editorial

O país pede sensatez

27/05/2018 às 20:47 - Atualizado em 27/05/2018 às 20:48
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O Brasil encerra maio em meio à agudização da crise política e do estouro dela na economia refletindo-se em todas as áreas. A instabilidade ganhou contornos mais amplos e sinalizadores de retrocessos. O Congresso Nacional, notadamente o Senado, e o Poder Judiciário deveriam ser as instâncias para promover interlocução capaz de chamar à razão e obstruir todas as tentativas de o País retroceder ainda mais.

Se não o fazem descumprem uma das suas funções de base e podem ser vistos como parte do processo de desmonte na estrutura brasileira o que inclui o abatimento do judiciário e do próprio Congresso Nacional cuja história inclui capítulo longo das perdas dos direitos. Faz-se necessário que as representações das demais instituições brasileiras e dos coletivos sociais que tenham responsabilidade para com o País entrem em cena com disposição de mediar os confrontos e conflitos e ajudar, pelo exercício da democracia, a superação dessa etapa.

O País passou mais de duas décadas vivendo sob severa restrição e conseguiu superá-la, reapresentar-se ao mundo com o seu potencial para inaugurar novas interlocuções. Superou graves problemas sociais, venceu os níveis mais elevados de subdesenvolvimento, da miséria e da mortalidade de crianças e mulheres grávidas; Retomou o debate e aperfeiçoou leis para reduzir a desigualdade e combater o preconceito e a discriminação; avançou na escolaridade na formação universitária de milhares de pessoas e ajudou a intermediar conflitos em outros países, na promoção de outras nações que também estavam submetidas a poderes externos restritos. Mudou realidades e formulou novos horizontes ora interrompidos.

Este Brasil que quer crescer e zerar a desigualdade socioeconômica não pode, pelo desejo de grupos restritos, andar para trás e ser submetido ao encolhimento das suas potencialidades e ao cenário onde uma parte pequena da sociedade tem acesso a todos os bens, a todas as oportunidades enquanto a outra parte, imensa maioria dos brasileiros, vive a subvida. Aperfeiçoar os mecanismos da democracia requer a participação popular e reivindica profundo respeito aos instrumentos constitucionais produzidos exatamente para vencer mecanismos autoritários e usurpadores de direitos. A semana encerrada demonstrou que um fio separa uma realidade da outra quando rompido e como se arquiteta ações para rompê-lo. Que a democracia em aperfeiçoamento permanente seja a meta e a sensatez se imponha.