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Editorial

O País precisa ser passado a limpo

30/01/2017 às 22:28
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Ao homologar a delação premiada da Odebrecht a ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, deu uma demonstração de que o Brasil, apesar de todas as dificuldades atuais e da forma como a corrupção parece tão entranhada no modo de vida das pessoas, pode ter um rumo diferente. A corrupção não precisa e não pode ser a regra, os corruptos não podem ser os vencedores, a Justiça precisa prevalecer.

Os processos resultantes da operação Lava Jato vão continuar, a despeito da morte do relator, o ministro Teori Zavascki. Muitas teorias da conspiração foram levantadas após a morte do ministro, muito se falou a respeito da eventual paralisação dos processos no STF e de como isso impactaria na continuidade dos processos, daí a importância da atitude da ministra Cármen Lúcia em determinar a continuidade do trabalho da equipe montada pelo Ministro Teori para validar ou não a delação da Odebrecht, uma empresa com empreendimentos de vulto, inclusive em Manaus.

Os amazonenses acordaram nesta segunda-feira com a vergonha de ter o prefeito da cidade citado entre os possíveis beneficiários dos esquemas de corrupção envolvendo a Odebrecht. Não é momento de apontar culpados e pecados. O momento é de apoiar a Justiça para que as investigações sigam a fundo e que a verdade venha à tona doa a quem doer.

Nos últimos anos, o Brasil esteve dividido como nunca antes em sua história. Uma parte da população apoiava a ex-presidente Dilma Rousseff, enquanto outra parte lutou pela deposição dela. Hoje vivemos um novo momento. Independentemente do apoio ou do desprezo ao presidente que aí está, o povo brasileiro precisa estar unido no que diz respeito ao combate à corrupção.

Neste sentido,  a operação Lava Jato e seus desdobramentos são marco inédito na história do país. O Brasil precisa acreditar que é possível um futuro em que a classe política esteja prioritariamente trabalhando em prol da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, e não do enriquecimento ilícito, da obtenção de propina, da aplicação da “lei do mais esperto”. Já não há espaço para ditos populares do tipo que crescemos ouvindo, coisas como “ele rouba mas faz”.

Já não há espaço para políticos focados unicamente em tirar proveito do cargo público em detrimento da missão sagrada conquistada nas urnas, que é fazer valer a vontade da população que o elegeu. A  operação Lava Jato vai continuar, os corruptos podem temer. Temos que acreditar que teremos, um dia, um  Brasil melhor do que temos hoje.