Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

O papel social dos Correios


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27/01/2020 às 08:22

A proposta governamental de privatização de bancos estatais e dos Correios necessita ser avaliado em espaço o mais aberto possível e com determinação de demonstrar a repercussão da medida, quando oficializada, nas diferentes regiões do País. Esse tipo de mapeamento é o mais adequado para apresentar ao governo o que até agora não foi tratado de forma responsável.

Cabe aos Correios, empresa que tem sido sistematicamente apresentada como economicamente inviável e tem a sua imagem sob fogo depreciativo, o desempenho de papel social relevante. É por meio dos Correios que uma infinidade de serviços alcança milhares de brasileiros habitantes de áreas mais distantes e parte de um Brasil colocado fora do cálculo das medidas de ajustes econômicos ou dos pacotes de privatização.

Na questão Correios e Caixa, a privatização que tem sido proposta é apresentada à sociedade como o melhor negócio do mundo para o governo. No entanto, não são fornecidos dados sobre como serão tratados inúmeros aspectos que afetam diretamente moradores desses lugares. A maioria deles vive no interior da Amazônia e do Nordeste e são nesses lugares que os Correios chegam. Por décadas, a empresa atua aprofundando a presença e no desenvolvimento de uma tecnologia de acesso muito singular.

Os serviços feitos pelos Correios, para os defensores da privatização, serão assumidos nas localidades mais distantes pela Caixa. A questão é que esse banco já vive um processo de desestruturação profundo, com redução de pessoal e fechamento de agências, o que significa, resumidamente, redução da estrutura da Caixa Econômica no País e retirada dos Correios desses mesmos locais. Privatizado, os Correios irão atuar preferencialmente naquelas praças que são rentáveis. Essa tem sido a lógica nos processos de privatização.

Os que podem pagar pelos serviços, pagarão, e os que estão fora dessa margem, terão que aguardar uma proposta do governo de atender as demandas mais carentes e mais distantes. Os Correios aparecem como uma das empresas de maior alcance de inserção no território nacional e esse tipo de vantagem agrega vários valores que deveriam ser considerados em toda a sua profundidade. Cabe aos parlamentares, aos empresários, e a sociedade questionar sobre as garantias sociais que integram a existência da Caixa e dos Correios no Brasil mais profundo.


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