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Editorial

O parlamento e a função de representar

28/10/2017 às 16:18
Show congresso

O Brasil é arrastado. O arraste feito pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário produzem marcas profundas na relação da alta cúpula dos poderes com os bens públicos. As negociatas alcançaram níveis que se pensava impossível de serem atingidos enquanto a maioria dos congressistas banaliza mandatos e faz escárnio com os votos recebidos dos eleitores.

Há outro Brasil que reage a esse tipo de comércio grotesco e imoral. Tenta se pronunciar e estabelecer diálogos com os diferentes segmentos de brasileiros igualmente preocupados com o rumo que os representantes dos poderes estão dando ao País. A mais recente votação na Câmara dos Deputados sobre o ‘Relatório Andrada’ que recomendava o arquivamento da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer demonstrou o quanto o Legislativo legisla longe da sociedade, dos eleitores e não se importa com a opinião pública.

É grave o comportamento adotado pela maioria dos congressistas. A postura de chacota com que tratam temas cruciais para a vida nacional revela um perfil de políticos que ignora a função a função parlamentar e os deveres de um Congresso Nacional. A sensação deixada a cada episódio é que os mandatos obtidos e pelos quais os congressistas juraram respeitar a Constituição todo documento de condução das regras do País estão sendo rasgados e lançados em lixeiras.

Ao eleitor os mecanismos de rejeição e condenação desses parlamentares ainda se constituem em uma complicada tarefa para atender a inúmeros procedimentos burocráticos até ser configurado um projeto, uma medida, de iniciativa popular. A outra saída, mais demorada, é a manifestação nas urnas, nesse caso nas eleições de 2018. Que cada eleitor possa avaliar a atuação dos eleitos, a postura dos integrantes das bancadas estaduais e decidir da forma mais livre que lhe for possível se essas pessoas devem permanecer como parlamentares. O acompanhamento e a análise dessas condutas poderão resultar em mudanças pelo menos na constituição repetitiva dos quadros de representantes. Afinal, na maioria das vezes, como ora ocorre, deputados e senadores não representam os anseios dos eleitores nem da população. Ao contrário, atuam para atender aos negócios do grupo de poder. Usam indevidamente o mandato para usufruir vantagens. Quais interesses os parlamentares do Congresso Nacional ou a bancada do Amazonas representam?