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Editorial

O perigoso movimento do judiciário

04/12/2016 às 22:02
Show supremo033

O judiciário brasileiro protagoniza movimentação perigosa. Ao ver a possibilidade de ameaças ao status quo intocável por décadas e décadas recorre a expedientes que avaliados com maior liberdade e transparência revelam o quanto faz política e se distancia da balança sob equilíbrio para assegurar Justiça mais justa. Os movimentos lançados nas últimas semanas exibem o tamanho da força institucional em uma face embora a outra face carregue os desencantos dos brasileiros com a atuação da Justiça, parcial, elitista, demorada e nos mais recentes casos atropeladora.

Se de um lado os brasileiros clamam por um Judiciário dinâmico, atento e capaz de interpretar na melhor perspectiva os sentimentos da sociedade promovendo o que é tarefa sine qua non da existência e funcionalidade desse poder, por outro, estão perplexos com a postura de parcela expressiva desse Judiciário quanto à manutenção de privilégios mesmo que isso corresponda a desrespeito a situação da maioria da população. Querem e conseguem os reajustes salariais enquanto a massa de desempregados cresce, os salários são achatados e acordos os mais espúrios são feitos ferindo direitos trabalhistas em setores mais fragilizados.

A intocabilidade do Judiciário afronta os demais poderes do qual ele é interdependente. Cada vez mais setores da sociedade brasileira pergunta o porquê dessa postura. Juízes são humanos e não deuses, cometem erros, têm desvio de conduta e também são acionados por interesses por vezes restritos, profundamente particulares. É possível listar tais relações a partir de relatórios feitos no passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) cuja atuação por anos foi brindada como avanço para consertar o que estava fora dos eixos. O trabalho de consertação é longo, árduo e delicado porque mexe em espaços e interesses de pessoas há muito tempo blindadas e ajudaram a dar efetividade ao nefasto sabe com quem está falando?  Uma espécie de código para estabelecer diferenças de comportamentos, de repreensões e do direito em si.

A estrutura do Judiciário como qualquer outra é composta de vários ingredientes. E são aqueles que lutam por uma democracia melhorada, os que mesmo atacados dentro da instituição da qual participam por questionarem privilégios e os descaminhos que o Judiciário patrocina a outra expressão na defesa da saúde dessa área. O País necessita de um Judiciário firme e moldado para fazer valer uma conduta ética e cidadã para todos. Combate à corrupção sim; Privilégios não.