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Editorial

O perverso efeito da operação

20/03/2017 às 21:45
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O Brasil tem pela frente uma batalha árdua para não perder mercados internacionais de consumo de carne com os quais por décadas mantém relações importantes de negócios. Ingressar nesses mercados significa submeter-se a exigências rigorosas de ordem sanitária e política. Um dos primeiros resultados da Operação “Carne fraca”, da Polícia Federal já está estampado nas diferentes mídias que sinalizam para restrições ao produto brasileiro, reconfiguração do quadro de exportadores e importadores no qual a China aparece como maior beneficiária. O Brasil o grande prejudicado.

Há entendimento por parte do setor e da sociedade que empresários, parlamentares, agentes públicos e funcionários das organizações públicas e privadas cuja conduta lesa os procedimentos técnicos e legais devem ser punidos. É questionável a forma de exposição feita por setores da Polícia Federal sobre as primeiras conclusões da operação, a apatia governamental tanto no acompanhamento dessa operação quanto no primeiro desfecho da ação. A generalização e a falta de elementos mais incisivos para culpabilizar ou criminalizar o segmento soa como ato de grave irresponsabilidade com efeito desastroso na economia brasileira e, por consequência, para toda a população.

Os arranjos feitos até agora não conseguiram aplacar a frágil confiança com que esse tipo de mercado trabalha no mundo e muito menos segurar a fúria com que outros mercados emergentes se colocam.  É uma pancada de morte ao País e ao setor que por anos trabalhou para, no conjunto, conquistar o mercado internacional com selo de qualidade obtido a partir de rigorosos processos. Pior o remendo da churrascada no domingo à noite se verdadeira a informação de que a carne fornecida para as autoridades brasileiras, encabeçada pelo presidente Michel Temer, e embaixadores, é de origem chinesa, como relatam colunistas do sudeste.

Pode soar como exagero, entretanto, o processo de entrega de setores fundamentais à economia brasileira ao mercado externo ganha com esse episódio coloração forte. A operação para salvar os negócios do País a partir do polo agropecuário exigirá investimentos em várias áreas e um recomeçar com perdas pesadas. A falta de prudência aliada a um desejo incontrolável de pirotecnia pode empurrar ações relevantes, estratégicas e necessárias da Polícia Federal para outro espaço, com restrição e controle indesejável apequenando o órgão. O que será igualmente ruim para o saneamento pelo qual a maioria da sociedade e das instituições luta.