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Editorial

O pesadelo da 'Cidade das Luzes'

28/03/2018 às 20:30
Show cidade das luzes

A ocupação da “Cidade das Luzes”, no bairro Tarumã, Zona Oeste, é um dos exemplos recentes de como não é recomendável sob qualquer hipótese brincar de fazer política pública. Em dezembro de 2015, uma mega operação retirou ocupantes do lugar e produziu uma série de efeitos e de sofrimento. Um compromisso público ficou firmado à época, tratava-se de recuperar a área e transformá-la em parque ecológico.

No ano de 2017, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, esteve em Manaus e, durante encontro com o prefeito da cidade, Artur Neto (PSDB), conheceu a proposta do parque ecológico. Na contramão do projeto, desde 2016 começaram a ser erguidos novos barracos nos locais e hoje dezenas deles podem ser vistos.

A indefinição quanto a implementação da proposta para aquela área estimula outras utilizações. Em disputa na Justiça e sob cobiça de inúmeros segmentos, entre os quais grupos da construção civil que sonham em erguer condôminos fechados naquela região, a ‘Cidade das Luzes’ experimenta o pesadelo das incertezas e se distancia cada vez mais de vir a ser um parque ecológico municipal.

As representações do poder público arrastam a tomada de decisão sobre a destinação da área e, ao fazê-lo, empurram os problemas, possibilitam ações de vandalismo e de ocupação que poderá vir a ser mais uma vez considerada judicialmente ilegal. Os conflitos que estão sendo alimentados e os interesses de grupos são parte do perfil de negação sistemática em tratar os bens públicos com responsabilidade permanente e fazer valer a função social destes.

Este ano, decisões que tenham começo, meio e fim em relação ao que será feito naquele local dificilmente se sustentarão em decorrência do período eleitoral cada vez mais próximo. A proposta do parque ecológico, tão necessário ao município, poderá até vir a ser retomada como discurso e bônus eleitoral, contudo as condições de realização da ideia estão cada vez mais difíceis e as pressões para o abandono dela crescem. Três anos depois da retirada de famílias que ocupavam o lugar, nada mais foi feito efetivamente a não ser ações que episodicamente tentam monitorar a região, o que é pouco porque não produziu avanços em direção ao melhor e mais justo uso dessas terras.