Publicidade
Editorial

O poder longe da crise

18/06/2017 às 19:05
Show michel temer

A penúltima semana do mês de junho tem início sob o fogo cruzado na vida do poder brasileiro. A temperatura considerada alta por muitos analistas não impediu até agora que o presidente Michel Temer alterasse a programação de viagem internacional prevista para iniciar nesta segunda-feira, com destino à Rússia e à Noruega, de acordo com comunicado do porta-voz da Presidência da República. Ao mesmo tempo em que avança despudoradamente na oferta de ajuda financeira a governos estaduais e na partilha de cargos federais a líderes políticos.  Tudo para garantir que no Congresso Nacional seja derrubado qualquer tipo de representação que ameace a permanência dele no cargo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assume na ausência de Temer o comando do País e reforça, como já avisou, o manuseio de instrumentos para proteger o mandato de Michel Temer.

O jogo não inova. Tem sido assim, com pequenas diferenças que possivelmente, em outro momento de leitura da história do Brasil, mostrará tais diferenças nas jogadas e as consequências delas para a sociedade, principalmente para os segmentos mais fragilizados da população. Há setores do governo de importância estratégica para enfrentar tais fragilidades que estão paralisados ou em processo de desmonte agravando profundamente os dilemas dos mais pobres.

Em outras instâncias do poder é como se a crise não existisse. Tamanha é a facilidade com que os bens públicos são ofertados e as benesses de alto preço estão mantidas. A falta de recursos financeiros, a precariedade das contas públicas e o encolhimento de atividades empresariais são diariamente citados por um conjunto de falas para reforçar a ideia de necessidade urgente de reformas nas relações de trabalho e na Previdência. Uma já está em processo avançado de execução, a trabalhista, e a outra anda a passos largos dentro do pacto para ser definida completamente. Permanecem intocáveis setores que deveriam ser incluídos e convocados a fazer a sua parte, pagando o que devem à Previdência Social. Não foram e não indícios de que virão a ser.

É essa balança com pesos desiguais por meio da qual o governo impõe e cobra mais dos menos abastados que produz um dos aspectos de maior ataque às pessoas e à segurança social.  As novas chamas do fogo cruzado desta semana não tratam desse tema e sim da quantidade de combustível que é preciso colocar à disposição para blindar Temer.