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Editorial

O preço da democracia

21/08/2017 às 22:04
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  Gilmar Mendes, declarou, ontem, que há sérias evidências de que o crime organizado entrou na política a exemplo do que aconteceu no México.

Conhecedor profundo da política nacional, seara na qual vez por outra ele próprio se aventura, para o bem e para o mal, Gilmar Mendes, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sabe muito bem do que está falando ao questionar: “O México lida com um problema seríssimo, que é a presença do crime organizado na política e nós já temos sinais disso aqui, de maneira bastante clara. Vamos querer que o narcotráfico, que as milícias, financiem as campanhas?”.

Defensor do financiamento privado das campanhas, Gilmar Mendes disse, na mesma apresentação, que os R$ 3,6 bilhões previstos no projeto de reforma política que está em discussão na Câmara Federal pode ser pouco para mantermos a nossa democracia.

Em certo sentido o alerta do ministro tem um chamamento a razão, pois os brasileiros descobriram a duras penas o grave problema que tivemos ao aceitar o financiamento privado de campanha. Todas as fases da operação Lava Jato, contra a qual vez por outra o ministro se insurge com razão, mostram em detalhes que a cada centavo investido pelas empresas numa campanha política estava devidamente atrelado a vários outros centavos já compromissados no eventual futuro ocupante do poder. Assim, se vimos que o financiamento privado está eivado de interesses escusos, a contrapartida financeira, é justo que agora, se quisermos manter nossa democracia, pensemos seriamente no financiamento público e ai a verba em discussão, os R$ 3,6 bilhões, sejam um valor a ser observado.

Por fim, a fala do ministro indica que a criminalidade já está entre nossa política, coisa alias que havia sido descrita em detalhes no filme Tropa de Elite 2, quando a ficção retratou muito bem a realidade da evidente mistura entre milícias bandidas do Rio de Janeiro com a eleição de certos candidatos.

Esse fato também aconteceu aqui no Amazonas, com candidatos trafegando pelo submundo do crime antes de ir em busca dos votos para chegar aos parlamentos.

Em boa hora, portanto, vem o alerta do ministro Gilmar Mendes.