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Editorial

O preço da passagem de ônibus

14/04/2016 às 22:41
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O debate no dia 28 sobre o reajuste no preço da passagem de ônibus é um instrumento oportuno. Embora corra o risco de não ser debate, a ideia de fazê-lo e o esforços para assegurar que seja feito retira o tema do lugar comum que alguns setores insistem em mantê-lo. A repercussão de qualquer reajuste no valor da passagem desse que é o mais importante meio de transporte coletivo é enorme no orçamento familiar.

Por isso, não é assunto de determinados setores e sim do conjunto da sociedade principalmente das organizações que representam os segmentos sociais que dependem desse transporte. As decisões sobre o reajuste da tarifa têm sido tomadas tradicionalmente como resultado de um acerto prévio entre o Poder Público Municipal e o empresariado do setor. Uma cena primeira de embate, outra de definição de um valor consensual. O instrumento desgastou e já não consegue convencer os usuários do sistema de que tem legitimidade.

Não é mais possível a quem controla a concessão do serviço e a quem o explora manter a discussão nesse patamar. Milhares de pessoas, todos os dias, necessitam de ônibus e o querem em boa qualidade, cumprindo o horário e mantendo relação de respeito com sua clientela. Não é assim que funciona. Todos os dias há ônibus atrasando, apresentando problemas e parando no meio do caminho, registro de desrespeito ao usuário por parte de alguns trabalhadores e veículos lotados, superlotados.

A reivindicação anual de reajuste da passagem de ônibus tem sido seguida do discurso de que é para garantir melhorias. Outro dado que não corresponde à verdade. Embora se saiba que as empresas têm custos, que atuam em um sistema capitalista e necessitam, nessa relação, ter lucros crescentes, sem desconsiderar que têm responsabilidades com os trabalhadores do setor e a renovação da frota, faz-se igualmente necessário e urgente que os empresários avancem em suas posturas e ampliem a qualidade do serviço que oferecem à população da cidade.

Se o debate do dia 28 servir para retirar uma questão de tamanha relevância do lugar miúdo da política terá valido à pena porque poderá representar um passo dado para a permanência do tema em pauta, no Legislativo, no Ministério Público, no âmbito do Governo Municipal e, assim, criar uma política pública de transporte mais vigorosa e eficiente. O assunto deixaria de ser tratado como incêndio e sim ao longo do ano, com transparência.